Meus cachorros, meus filhos

Sim, me tornei uma daquelas pessoas que tratam cachorros como filhos. Há uma semana Gunther e Priscila começaram na creche três vezes por semana. Que delícia ficar assistindo pela webcam. Eles têm mochilinha, com ração, coleira e outros acessórios. E ao final do dia a “tia” telefona pra contar o quanto eles brincaram, pularam na piscina, fizeram exercício, comeram e foram umas gracinhas. Ah, tem o “tio da perua” também.

Gunther, um bull terrier mimado, e Priscila, uma scottish terrier de personalidade forte, estão quase com 10 meses de idade. Antes deles, jamais imaginamos viver numa casa bagunçada ou parcialmente destruída. Pois é. Eles fizeram o favor de comer todos os móveis. Mas sabe de uma coisa? Eles aprontam e depois vêm com aquela carinha, pedindo colo, dando beijinho, e a gente simplesmente deixa tudo  pra lá.

A nossa vida também se tornou mais matutina. Nasce o Sol e lá vem o Gunther colocar a focinho no travesseiro, pedindo pra dormir com a gente. E quando a gente não o vê, ele coloca as patas da frente em cima da cama e bate as de trás no chão. A gente acorda, ele sobe, tiramos um cochilo, mas a paz dura só até às 7h30. Aí vem a hora do passeio, do café da manhã e da brincadeira antes dos “pais” saírem pra trabahar.

É impossível não nutrir um amor gigantesco por esses bichos. E aí vem o equívoco de querer transformá-los ou tratá-los como humanos, conversando com eles como se alguma palavra fizesse sentido. A Priscila até que responde, meio ranzinza, tipo “Pô mãe, sério que você vem com esse papo de novo?”. E o Gunter curte a TV. Mega participa dos programas, torce pros carros de Fórmula 1, pros atletas de Skeleton e, claro, late pra todos os cach0rros do Cesar Millan.

No fim do mês, vem o rombo das roupinhas que eles detestaram, do veterinário, dos biscoitos, florais, ossinhos, brinquedinhos e afins. E aí você entende porque tanta gente acaba abrindo mão de ter filhos pra se dedicar a essas criaturinhas com nome de gente. Oi? Não, ainda pretendo ter crianças de verdade correndo pra lá e pra cá. Mas, até isso acontecer, o Gunther e a Priscila vão continuar reinando mais um pouquinho.

Continuando o “ensaio sobre a burrice”

Eu e meu marido em busca de um plano mais adequado na nossa operadora de celular.

Marido: Olá. Estamos querendo rever nosso plano. Não é possível que a gente tenha que pagar este absurdo de conta todo mês. Além de estarmos pagando pra falar um com o outro, nossas tarifas estão muito caras

Eu: Já estávamos pagando caro quando fomos à sua loja e pedimos aconselhamento. Aí nos falaram que o plano em reais era melhor para quem faz interurbanos. Mas agora estamos pagando uma fortuna e nem fazemos mais tanto interurbano.

Atendente: Pois é. O plano em reais nem é mais comercializável. Ele é bom pra quem faz interurbano, mas a quando passa o mínimo contratado a tarifa fica mais cara mesmo.

Eu: Então você tá me dizendo que me ofereceram um plano horroroso?  Eu, que sou cliente há mais de 10 anos, nunca atrasei uma conta e quis continuar na operadora? Tá. Então que opções eu tenho pra gastar menos? Mesmo depois de já ter economizado nos interurbanos?

Atendente: Olha, a senhora tá coberta de razão, mas vou dizer que a melhor solução mesmo é Skype. Olha, tenta se ajeitar esse mês ligando pelo Skype. A senhora fala com todo mundo pelo Skype, não fala? Então por que não falar também pelo telefone? A única coisa é que o Skype não funciona no iPhone pelo plano de dados. Só wireless. É um acordo da Apple com o Skype. Um problema aí deles. Mas no wireless funciona. E é a melhor oção para interurbanos. Aí a senhora gasta menos e fica mais feliz.

Nós: Você não tem um plano pra oferecer?

Atendente: Não senhora. O melhor mesmo, sendo super transparente, é o Skype.

Sério. É como chegar na academia e falar: “O treino que você me passou não funciona”. E o cara responder: “Olha, a melhor opção é a cirurgia plástica”. Ou chegar no supermercado e dizer: “A carne que eu comprei estava velha”. E o gerente falar: “Olha, o melhor, mesmo, é ser vegetariano”. Falar pro Cesar Millan: “Meu cachorro está uma praga”. E ele falar: ” Olha, tartarugas são excelentes”. Ou um cliente chegar pra mim e falar: “Sua estratégia de crise não é boa”. E eu falar: “Olha, não comunicar é mesmo muito seguro”.
Paia!

Burrice coletiva é um saco

Um pouco de apatia faria bem ao mundo. Não sei se apatia é a melhor palavra. Só sei que há uma espécie de burrice coletiva aflorando por aí. Outro dia, no Twitter, vi uma sequência de pessoas tidas como “formadoras de opinião” em êxtase, depois que alguém considerado “famoso” disse coisas óbvias num desses eventos “descolados”.

Definitivamente existe uma empolgação estúpida tomando conta do planeta. Uma vontade de querer ser mais do que realmente é. Ou de transformar a mesmice em novidade ou moda. Tudo é “ohhhhh”. E o povo sai repetindo qualquer coisa, se metendo a falar do que não sabe e inflamando correntes em prol de gente que, na real, tem bem pouco a agregar.

Um bom exemplo é o “efeito Obama”. Ele era o máximo. Mas como tudo que tem muito hype nem sempre tem sustentação, o cara deu pra trás em quase todas as promessas. E enquanto sua popularidade declina astronomicamente, dizer que é fã do Barack tá longe de ser cool

Certa vez escrevi sobre perspectiva e proporção. Existem mais de 6 bilhões de pessoas. Pense em quantas vivem sem fazer idéia da existência de qualquer uma das coisas que você julga sensacional, incluindo você mesmo. Há muita gente nem um pouco modernex e bastante comum que muda muito mais o mundo — e sem alarde.

Agora dá pra entender porque eu tava com preguiça de blogar? Inevitavelmente viria com esse ar mal humorado. Ainda bem que passa!

Não fumem os seus celulares!

“Don’t smoke your cell phone”, disse a comissária de bordo num vôo com destino a Belo Horizonte.

Sinceramente, andar de avião é cada dia mais brega. Quando era criança, tomar café em Congonhas e assistir as aeronaves decolarem era o máximo. Viajar era um “evento”. Alguns homens vestiam terno, as mulheres estavam sempre arrumadas e as aeromoças eram esbeltas e elegantes. Quem trabalhava em rotas internacionais sabia falar inglês pra valer. Rodar o mundo servindo passageiros era algo desejado por milhares de pessoas.

Hoje, o bilhete custa o olho da cara e a comida é ruim, sem contar quando a refeição é, no máximo, um bolinho Pullman ou duas bolachas salgadas. Sinta-se espremido e passe fome. Já imaginou ter que decifrar aquele inglês macarrônico? Pelo menos a gente fala português!

Se a tripulação baixou o nível, obviamente boa parte dos passageiros também se adequa aos padrões atuais. Sempre tem aquele que bebe só pra aproveitar o vinho e a cerveja “de graça”. A maioria levanta e pega a bagagem de mão com a aeronave ainda em movimento, parece até uma boiada querendo sair pela porteira. Ok, não precisa fumar o celular. Mas dá pra esperar e checar os recados lá no saguão?

É uma falta de educação generalizada.

Pagando a língua

Nem cheguei aos 35, mas já me sinto como a minha avó. Quando era criança, lembro que ela escrevia algumas coisas erradas e eu, chata pra burro, vivia corrigindo. Antes de eu nascer, o Português já tinha mudado duas vezes e obviamente ela não conseguiu decorar todas as regras.

Eis que inventaram o Acordo Ortográfico 2009. Eu, jornalista, que me esforcei horrores para escrever certo, principalmente os hífens, pareço a dona Wanda. Completamente perdida entre o bem-vindo e o benfeito, o guardarroupa e o hiper-requintado, a autoestrada e o micro-ondas, o para e o pôr.

Minha sorte é que existe Internet e os links patrocinados do Google já adotaram a nova grafia. Fiz download de diversos guias. Mas nem imagino a cabeça da dona Wanda tendo que aprender tudo outra vez sem qualquer auxílio tecnológico (vixe, tem acento ou não?).

Posso aceitar que um idioma unificado traga benefícios de negócios e maior integração entre países, mas é bem complicado prometer que eu serei capaz de “renascer por completo” até 2012. Estou tentando reaprender minha própria língua. E nem pretendo criar caso se algum moleque quiser me corrigir. Se eu não entender tudo nos próximos dois anos e meio, talvez meus netos me façam escrever certo na marra.

Matemática feminina

Outro dia entrei na maior discussão com um amigo. Ele começou um namoro há duas semanas e já se punha a reclamar de ter que pagar algumas contas.

Entendo que o mundo anda supermoderno, que as mulheres reivindicaram direitos iguais, mas ser “moçinha” custa bastante dinheiro, então qual é o problema do rapaz de vez em quando fazer uma gentileza, principalmente no inicio do romance?

Acostumamos os homens muito mal. A gente faz questão de recebê-los sempre depilada, com a tintura do cabelo em dia, as unhas feitas. Ainda por cima fazemos o maior esforço pra não repetir a lingerie toda hora, sempre usamos a calça jeans mais cara do guardarroupa, além daquele sapato sensacional.

Então vamos às contas básicas:
(os preços são estimados e variam de acordo com o naipe do salão e a região onde se localiza)

- depilação (meia perna e virilha): R$ 35

- manicure (pé e mão): R$ 35

- tingir o cabelo: R$ 80

- escova: R$ 30

- tirar a sobrancelha: R$ 20

Isso equivale a um encontro. Num namoro, a criatura tem que multiplicar a maioria dos custos por pelo menos quatro finais de semana. Portanto, o gasto mínimo médio mensal da fulana é de, mais ou menos, R$ 200. Isso sem levar em conta: limpeza de pele, hidratante corporal, creme anticelulite, loção antirrugas, maquiagem, etc.

E vocês ainda regulam um jantarzinho???

Onde começa a liberdade do outro quando mentimos?

Bem, voltei a ficar filosófica este final de semana. Deixei de ir a um casamento por saber coisas a respeito do noivo que não me fazem sentir nenhum pouco orgulhosa de chamá-lo de amigo. Aliás, acho que ele não é mais meu amigo. E aí criei toda uma teoria sobre a mentira.

A mentira é o que mais aniquila a liberdade do outro. Quando mentimos, inventamos uma ilusão. E o outro, que deveria ter o direito de fazer escolhas legítimas para sua vida, simplesmente toma decisões baseadas num contexto que não existe. Decide por coisas que mais tarde vão se mostrar equivocadas. Não por culpa dele, mas por influência de alguém egoísta que o tomou para si e o manipulou como marionete. Por capricho, posse e auto-afirmação.

A verdade quase sempre dói. Mas pelo menos permite que sejamos quem queremos ser. E o mesmo vale para a pessoa com quem queremos construir algo. Se ela ficar com a gente, que seja pelo que realmente somos, com todos os erros, defeitos, mancadas, ímpetos, valores, índole, caráter… Não porque somos mimados demais para permitir que essa pessoa vá embora se não formos aquilo que ela escolher.

O mundo anda hipócrita demais para que, ainda por cima, sejamos falsos com as pessoas que nos cercam. Com as escolhas que fazemos. Enfim, que sejam felizes enquanto dure e que ela (a noiva) continue na ignorância. Desejo que ela não tenha o desprazer de se sentir idiota, humilhada, enganada, trouxa. É como a mentira faz a gente se sentir.  Não queremos que ninguém faça isso conosco. E não temos o direito de fazer isso a ninguém.

P.S – Não, eles não vão saber que estou falando deles aqui.

Vergonha alheia

Às vezes me mostram umas coisas que eu fico pensando: “Meu Deus, pra que inventar o ser humano?”

Sábado uma amiga me introduziu a uma série de vídeos no YouTube de um programa esdrúxulo de Caruaru, em Pernambuco, chamado “Sem Meias Palavras“. Um retrato transparente do Brasil que a gente faz questão de fingir que não existe.

E via Twitter descobri o site Explain this Image, onde pessoas abrem mão de qualquer dignidade em troca de alguns votos populares. Na boa, esse povo não tem família nem amigos, não é possível… Alguém tinha que mostrar pra elas o quanto elas são “ridiculamente ridículas”.

Trancoso: onde gente rica consegue ser brega

Ser rico é bom e não tenho a menor dúvida disso. O problema é ganhar dinheiro e perder a noção. Passei o Réveillon em Trancoso, na Bahia. O lugar é lindo, mas virou reduto de pessoas esnobes que sabem como ninguém confundir breguice com sofisticação.

Até onde eu entenda praia é propriedade de Deus, mas não em Trancoso, onde pra ficar em certos pedaços de areia “invadidos” por barracas chiques é preciso pagar R$150 por uma espreguiçadeira, R$500 por uma mesa com guarda-sol e quatro cadeiras, e R$750 por um bangalô. Esse custo é consumação mínima por pessoa. Claro que o povo bebe champagne na praia. Imagine a retenção de líquido dessa gente naquele calor de 40 graus!

Um garçom do Tostex me contou que já viu gastarem R$8 mil em um único dia. Bom pra ele que ganha 10% de comissão mais salário. Mas vamos combinar que é totalmente desnecessário gastar essa grana na Bahia. Pelo amor, pega um avião e vai pra St Barths, né! Armei meu guarda-sol de R$12 comprado no Extra e estendi a única canga que eu tenho desde 1999. Foi tudo de bom!

A principal festa de Ano Novo custava R$400 pra entrar. Tava lotada, claro. E não tinha nada muito diferente da festa que eu fui e custou R$25. Afinal, lá só toca música eletrônica ruim e nessa época do ano em Trancoso quem não é mineiro, é paulista. Ou seja, era pagar caro pra ver o mesmo tipo de gente que se encontra o ano todo em qualquer balada chata.

Os modelitos femininos eram os melhores. Tapete vermelho pra mulherada com suas carteiras de couro ou cetim e seus vestidos de seda, em camadas ou pontas, até os joelhos ou longos, tomara-que-caia ou frente-única, adornados com jóias e bijuterias reluzentes.

E havaianas nos pés, lógico. Afinal vestido de seda e bolsa de cetim ficam incrivelmente adequados pra a praia com um chinelinho básico. É a Alpargatas ditando os costumes high class e salvando a falta de estilo da galera.

Enfim, achei tudo muito mais legal depois do dia 04 de janeiro, quando os hippies ressurgiram e foi possível encontrar vários rastafáris e aquela gente com pinta de “guru astrológico”. Mais gringos desembarcaram usando sandálias e bermudas surradas. E os ricos que sobraram são os que têm casa na Bahia, falam bom dia na porta da padaria e levam o cachorro pra passear na praia. As festas ficaram bem mais divertidas e as lojas do Quadrado entraram em liquidação. Aí, sim, Trancoso virou um paraíso.

Recomeçando mais uma vez

Chegamos ao final de mais uma jornada. Passou rápido. Foi intensa, muito intensa. No começo, parecia que não ia dar. Deu. Termina bem, feliz, realizada, resolvida. Em 2008 a listinha de ano novo foi toda concluída. Não ficou nada pra trás. Os aprendizados vieram na marra. Alguns ainda preciso praticar pra valer. Mas muita coisa já mudou pra melhor. Hoje estou exatamente onde e como queria estar. Nada compensa mais do que isso.

E 2009 será o momento de me apropriar de todas essas conquistas. Viver o hoje, ser mais eu, sorrir mais e dar valor a absolutamente todos os segundos da minha vida. Continuar aprendendo, realizando, resolvendo, superando. Recomeçando, mudando. Mudar, sempre! Seguir em frente. Crescer! Amar: a vida, a alma, as pessoas, o mundo!

Aos meus poucos e queridos amigos, obrigada por estarem do meu lado há tanto tempo, compartilhando momentos tão únicos e divertidos. Obrigada por abrirem meus olhos para o novo! E para tudo que o universo tem de melhor!

Aos meus pais, não canso de dizer que vocês são as pessoas mais importantes da minha vida e que sem vocês eu não seria nada. Que vocês continuem ao meu lado por muitos e muitos anos. Eu amo vocês mais que tudo!

É isso aí. Feliz 2009 pra todos nós!!!! Com muita saúde, dinheiro, paz, alegria e, principalmente, sabedoria! Só a sabedoria nos torna verdadeiramente livres!

Até a volta.