Diversidade: você está pronto pra isso?


Meu amigo Wolverine postou recentemente sobre preconceito. Tema complicado. Eu sempre digo que preconceito é algo que todo mundo tem, mas poucos conseguem admitir. E nem acho que o principal problema no Brasil seja racial. Na minha opinião, classes sociais afetam mais a forma como as pessoas tratam umas às outras do que cor, religião ou raça. Mas enquanto diversidade é moda, especialmente no ambiente corporativo, eu gosto de abordar um outro tipo de preconceito: de estilos, valores, gostos. Acho muito curioso que a publicidade, a indústria do entretenimento e a mídia de forma geral enalteçam pessoas modernas e descoladas como sinônimo de vanguarda. De fato, eu acho mesmo que pessoas criativas, expansivas, abertas — e nem por isso menos preconceituosas — tendem a ter estilos mais arrojados. Agora, tente sair por aí com tatuagens à mostra, cabelo vermelho, roupinhas mais desencanadas e tal. Acredite: você ainda encontrará alguém que lhe medirá da cabeça aos pés achando que, no mínimo, você fuma maconha. Sem falar que é provável que lhe tomem por lésbica. E se seu namorado for igualmente “maluquinho”, há 70% de chance de realmente acharem que você usa drogas pesadas diariamente. E como neste mundo nós somos aquilo que as pessoas acham que nós somos — ou seja, aparência é o que mais importa — você simplesmente precisa lidar com isso, ainda que você seja straight edge e nem fume, beba, use drogas, etc. Então tá. Você encontra uma turma onde todo mundo tem a mesma aparência que você. Você pensa que ser aceita será tarefa fácil. Engana-se. Metade daquelas pessoas, só porque você tem um emprego legal, uma casa bacana e gosta da sua vida, acha que você é patricinha metida à maluca. Daí você descobre que o preconceito vem de tudo aquilo que está em você e que você projeta nos outros. São, bem lá no fundo, suas frustrações espelhadas justamente naquele que lhe impõe o novo, que lhe expande as possibilidades e lhe faz refutar tudo que até então você tomava como regra. Daí, ao mesmo tempo em que você lê sobre diversidade, precisa tomar cuidado com as comunidades que tem no Orkut porque pode ser que você não consiga emprego só porque postou uma foto do seu piercing e é fã de bandas esquisitas. Mas ainda que o diretor de RH não se dê ao trabalho de checar sua “aparência real”, você passa a ter dois guarda-roupas: aquele em que você se sente uma boba de segunda a sexta e o outro, com aquilo que você realmente gosta de usar. Porque mesmo que você trabalhe num lugar “cool”, tipo Folha de São Paulo, eventualmente precisará do figurino “old fashion”. E até as pessoas mais underground têm limites. Se você ousar ultrapassar os limites delas terá problemas para “pertencer”. Basta ver que vários dos marmanjos tatuados e “doidos” que você nas baladas mais disputadas da cidade têm pavor de homossexuais. Talvez porque eles ainda tenham dúvidas sobre sua própria masculinidade? Ou será que o fato de serem tão alternativos os fazem ainda mais machistas e conservadores? E os preconceitos não páram aí. Você já viu alguém com mais de 40 anos ser chamado para uma entrevista de emprego com a mesma frequência de alguém com 25? Converse com alguns dos mais bem-sucedidos executivos e preste atenção em suas esposas. Elas provavelmente se parecem, com suas roupas compradas na Daslu, seus corpos construídos nas melhores academias e nos melhores consultórios de cirurgia plástica, e seus cabelos penteados no W. É mais provável ainda que não trabalhem para estarem disponíveis às mudanças de carreira deles. E quando elas arrumam um emprego, eles chamam de “hobby”. Mulheres-poodle, como diria uma amiga minha. Mas essas, teoricamente, são as mais bem-aceitas entre as lideranças do País. A lista de “do´s & dont´s” sociais pode ser interminável. Não fale muito alto ou alguém no escritório pode não ir com a sua cara por isso. Naõ seja muito feliz ou alguém na sua turma pode não gostar muito de você ou lhe achar “efusiva” demais. Não seja muito você mesma ou quem tem problemas em se assumir pode fazer questão de propagar fofocas incríveis a seu respeito. Ou seja, no final, a gente está sempre jogando o jogo de um lado ou de outro, tentando sobreviver num mundo onde todo mundo — sem exceção — se acha muito normal.

Muito obrigada!


Nem tenho palavras pra agradecer à Beth, à Mélica e à Paola pela indicação ao selo “Uma mulher que faz pensar”. Este blog anda deveras abandonado por pura falta de tempo. Com tantos projetos acontecendo ao mesmo tempo, não ando tendo como ler frequentemente os blogs que gosto. E não tem sobrado inspiração suficiente para escrever aqui. Mas isso não é motivo para desistir. Bravamente resistirei e uma das metas para 2008 é postar uma vez por semana “religiosamente”. Por isso este selo é tão importante. Mostra que relacionamentos criados via Web são, sim, permanentes e que basta ter algo a dizer — ainda que de vez em quando — para que gente como eu e você possa influenciar pessoas. Valeu meninas! E passo adiante o selo para: Gabi, Bel, DM e AP, Van, Luma e .

Perspectiva: a proporção correta da vida

Colocar as coisas em perspectiva é sempre bom. De acordo com o site World Population, existem hoje, 15 de novembro de 2007, cerca de 6.761.693 pessoas no mundo. Talvez o Ronaldo ou a Angelina Jolie sejam reconhecidos por 95% da população mundial. Ainda assim, nem eles conseguem ser relevantes para toda essa gente. Então, vamos fazer umas contas, meio esdrúxulas, só para seguir um raciocínio. Quantos conhecidos você tem? Digamos que você seja popular. Ainda que milhões de pessoas já tenham ouvido falar de você, isso não significa que você as conheça (saiba o nome, de onde é, como chegou até você, etc.). Portanto, vamos considerar aqui que você tenha uns cinco mil conhecidos. Isso significa que você APENAS conhece 0,07% dos seres humanos que existem. Desses cinco mil, quantas são pessoas das quais você gosta e convidaria para o seu aniversário, por exemplo? Talvez mil? Isso quer dizer que você se relaciona com SOMENTE 0,01% dos seres humanos que existem. Desses mil, quantos são seus amigos? Amigos de frequentar a sua casa? Cem? Você, então, se importa SÓ com 0,001% dos seres humanos que existem. Desses cem, para quantos você telefona para pedir ajuda num momento difícil? Dez? Isso quer dizer que a sua casa pode viver cheia de gente, mas na hora H você TÃO SOMENTE pode contar com menos de 0,0001% dos seres humanos que existem. E dessas dez, quantas realmente parariam tudo para lhe ajudar de verdade? Duas? Então, VOCÊ IMPORTA MESMO para menos do que 0,000001% dos seres humanos que existem. Portanto, deixo duas vertentes da perspectiva:
1) Nem tudo o que você é ou faz é tão sensacional, crucial ou supra-sumo quanto você pensa. Isso é extremamente importante de ser lembrado sempre que você achar que pode julgar, esnobar ou zombar alguém. Isso é extremamente importante de ser relembrado sempre que você achar que pode desdenhar alguém. E sempre que o poder lhe subir à cabeça ou que o seu ego lhe fizer acreditar que você e/ou as coisas que você possui são mais importantes do que alguém. Infelizmente, mais ou menos 6.761.690 pessoas vivem sem você. Pior: aproximadamente 6.755.580 pessoas nem lhe conhecem. E é bem provável que elas nem saibam que você existe.
2) Nem tudo o que acontece (ou não) e nem tudo o que fazem para/com você é tão grave assim. Sabe aquele amor da sua vida que lhe abandonou? Então, 6.761.691 pessoas vivem sem ele. Sabe aquele amigo que mega lhe decepcionou? De novo, 6.761.691 pessoas vivem sem ele. Melhor: existem 6.761.691 possibilidades de você conhecer alguém mais legal. Sabe o emprego que um dia você perdeu? Pelo menos 6.761.600 pessoas têm mais o que fazer. O corpo perfeito que você não tem? Talvez 6.000.000 de pessoas se olhem no espelho e também queiram mudar alguma coisa. Mas provavelmente 6.761.690 são felizes apesar disso. O carro, a casa, o dinheiro, o terno Armani, o vestido Dior, o glamour, as festas? Com certeza, mais ou menos 6.761.685 pessoas devem sonhar com isso e também não têm (nem nunca terão). E por aí vai.
Moral da história? A única coisa que realmente importa na sua vida é você. A única pessoa que realmente importa para você, é você. E a única pessoa que realmente se importa com você, é você. A importância que as coisas e as outras pessoas têm na sua vida, quem determina é você. A gravidade das coisas que acontecem na sua vida, quem determina é você. Você pode viver cego e envolto em seu próprio narcisismo. Ou cego e afogado na sua própria dor. OU… sacar que você é o capitão do seu navio, colocar um sorriso no rosto e seguir sempre adiante com a melhor das intenções possíveis para com você e os outros. Certamente você aportará em algum lugar bacana. E feliz.

Ai meus 20 anos…


Romantismo ainda existe, graças a Deus. Em Nova York um garoto de 21 anos se apaixonou por uma menina que ele viu no metrô. Enquanto dividiam o vagão, Patrick Moberg passou a viagem inteira pensando no que dizer para se apresentar. Quando finalmente conseguiu chegar até a garota era tarde demais, ela já tinha saltado do trem. “Assim que ela desapareceu eu fiquei ansioso por dar um jeito de encontrá-la”, ele disse à rede ABC. Moberg criou o site NY Girl of My Dreams , onde descreveu a menina em detalhes e deixou seu celular e e-mail para que pessoas pudessem dar dicas de como achar a mulher dos seus sonhos. Deu certo. Uma amiga dela viu o site e reconheceu a descrição. Hoje eles estão juntos e felizes. Adoro a Internet. Adoro esse universo onde tudo é possível. Esse rapaz foi sensacional. Contos de fada existem!

Retrato Falado

Eba! Alguém ainda lembra de mim! Beth, querida, adorei o meme. Ando tão sem tempo de me dedicar ao blog que até me sinto abandonada aqui no meio do meu caos. Enfim, pelo o que eu entendi é para contar aqui algumas das minhas preferências.

* Uma hora: Sempre
* Um astro: Sol
* Um móvel: Estante
* Um líquido: Água
* Uma pedra preciosa: Diamante
* Uma árvore: Loureiro
* Uma flor: Rosa vermelha
* Um animal: Cachorro
* Uma cor: Preto
* Uma música: “The Power of Goodbye
* Um livro: Sobre a Brevidade da Vida
* Uma comida: Bife, arroz e purê de batata
* Um lugar: Todos para onde eu viajei e aonde ainda quero ir
* Um verbo: Evoluir
* Uma expressão: Não existe certo ou errado, existe sofrimento
* Um mês: Agosto
* Um número: 7
* Um instrumento musical: Baixo
* Uma estação do ano: Outono
* Um filme: Waking Life

Pessoas que eu gostaria que participassem: Lúcia Freitas, Jeff Paiva e Guilherme.

Quando eu for rica….

Estava sábado no Starbucks com um amigo e falamos de coisas que gostaríamos de ter se fôssemos ricos. A verdade é que sem ter dinheiro os desejos acabam sempre muito modestos. Não faço idéia de como seja ter milhões sobrando, então nem sei o que é possível fazer com milhões. Mas…Eu teria uma casa legal com uma sala de cinema. Obviamente teria um acordo com as distribuidoras de filmes para incluir alguns lançamentos, além de investir numa coleção de DVDs sensacionais. Também teria um espaço para shows onde reuniria meus amigos e pagaria para ver as minhas bandas favoritas. Equipamento de primeira, um bom técnico de som, um rodie, luzes bacanas, uma câmera digital para filmar o concerto e transmiti-lo simultaneamente numa TV de LCD gigante. Além de um contrato com alguém bom que negociasse os cachês e organizasse os “eventos”.
Nada de 200 quartos pra ficar aguentando gente mala se hospedando em casa o tempo todo. Vem, assiste o filme, vê a banda, dança um pouco ao som dos meus milhares de CDs e vai embora, né? Me poupe! Teria ainda uma churrasqueira descoladérrima, à beira de uma piscina tudo de bom, com um chef à disposição. E aí vários churrascos: um pros amigos, um pro revival do colégio, outro pro revival da faculdade, um pro networking, um pro povo do trabalho e outro pras pessoas que você não sabe muito bem porque precisa manter na sua vida. Esse chef, junto com aquela pessoa que organiza shows, iria fazer uns jantares também. Coisas simples, porque esse pessoal que enriquece e perde a identidade não tá com nada. Simplicidade continuaria sendo tudo na vida. Ah, uma bela sala de ginástica e um personal trainer diário. Porque fazer ginástica é bom com calça de moletom velha e camiseta “de reclame”. Vamos considerar que academias são bem irritantes. Nada pior do que ficar suada, esbudegada e ainda saber que o bonitinho da esteira seguinte te acha uma débil mental. Claro que contrataria uma nutricionista pra ajudar a manter a forma — e ela ficaria responsável por ir ao supermercado! Imagine que delícia nunca mais ter que ir ao supermercado!! E nada de carro bacanão. Um automóvel ok, blindado. Investiria ainda numa casa numa praia legal pra nunca mais ter que pensar onde é que vai rolar o Réveillon. E viagens. Muitas viagens para todos os cantos do mundo sem precisar contar centavos, abrir poupança um ano antes, descolar passagem com desconto, pedir por favor pra alguém ir junto e dividir o hotel, e ainda fazer só uma refeição por dia pra economizar. Continuaria trabalhando sim, porque usar o cérebro é bom, fazer alguma coisa da vida também é bom e dinheiro, se não cuidar, acaba. Ah! Importante: abriria uma empresa de microcrédito pros folgados que vierem pedir dinheiro emprestado. Afinal de contas rica sim, mas trouxa nem pensar!

Nobel da Paz fajuto

Estou longe de querer questionar a importância de uma maior conscientização sobre sustentabilidade, mudanças climáticas e a relevância que o Al Gore ganhou ao tornar-se embaixador do assunto. Mas preciso expressar minha decepção com o fato dele ter sido ganhador do Prêmio Nobel da Paz. Desde 2003 a premiação apenas demonstra o quanto o mundo anda perdido. Até 2003, os ataques de 11 de setembro ainda serviam de desculpa para a guerra contra o terror e o Iraque ainda não tinha se tornado um escândalo republicano. Sob um planeta abalado, o Norwegian Nobel Committee concedeu o prêmio a nomes como Kofi Annan, ex-secretário geral da ONU, Jimmy Carter, ex-presidente norte-americano, e a iraniana Shirin Ebadi. Por mais controversos que esses nomes sejam, todos têm a ver com ações que levaram a acordos entre nações e o desenvolvimento de políticas internacionais que enfatizam os direitos humanos. Mas com Bin Laden à solta, o Iraque acumulando saldos piores que a Guerra do Vietnã e Paquistão, Coréia do Norte e Líbano causando incômodos nas manchetes dos jornais, parece que o jeito foi transformar crescimento econômico, inclusão social e meio embiente em plataformas pacíficas. Infelizmente acho que Muhammad Yunus, Gore e Mohamed Elbaradei deveriam concorrer ao Nobel de Economia. Posso estar redondamente enganada. Mas meus ideais pacifistas pedem mais nomes como Desmond Tutu, Dalai Lama e José Ramos Horta. Ou será que o mundo não produziu mais líderes como eles?

O meme da página 161

Alexandre Inagaki me convidou para participar deste meme. Tô atrasadíssima na postagem, mas prometi e vou cumprir. Vamos lá:

1ª) Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2ª) Abra-o na página 161;
3ª) Procurar a 5ª frase completa;
4ª) Postar essa frase em seu blog;
5ª) Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6ª) Repassar para outros 5 blogs.

O livro escolhido e que está na pilha dos três que eu estou lendo ao mesmo tempo é “Mulheres que correm com os lobos”, de Clarissa Pinkola Estés. A quinta frase completa na página 161 é: “Recomenda o Alcorão: ‘Sereis chamados a prestar contas de todos os prazeres permitidos na vida de que não tiverdes usufruído durante vossa estada na Terra”.

Os cinco blogueiros convidados a continuar o meme são: AP e DM, Nelson Correa, Wolverine, Paola e Van.

Rrriot World Tour: Japão

Em homenagem ao Henrique Martin, que recentemente esteve na terra dos olhinhos puxados, vamos fazer um tour pelo Japão. O país dispensa apresentações. E como tudo por lá é uma cópia, quase sempre melhorada, das invenções ocidentais, o rock e suas vertentes não poderiam ficar de fora desse eterno exercício de aperfeiçoamento. O punk é incrivelmente bem representado. O Japão tem sua própria versão da Warped Tour, bandas de todas as partes do planeta fazem questão de incluir Tóquio nas turnês, é possível encontrar discos de diversos grupos alternativos brasileiros e nomes como Olho Seco, Ratos de Porão e Mukeka di Rato fazem sucesso entre os japoneses. Fora dali, a dupla mais conhecida internacionalmente é, sem dúvida, Pizzicato Five, com a fofíssima Maki Nomiya no vocal (tá, alguém vai falar em Guitar Wolf, mas é banda só de menino então não entra aqui!). Ah, sim, tudo no Japão fica “fofo” com aquela pele lisinha de porcelana e as bochechas avermelhadas de “blush”. Judy And Mary traz a voz de Yuki Isoya e, honestamente, não sei se eles continuam na ativa uma vez que não lançam um disco desde 2001. O som é aquele punk pop basicão, mas com visual à la Pato Fu. Strawberry Cream Puff é uma delícia, um trio feminino cujas músicas parecem trilha sonora de desenho animado (porque assim como o rosto, a voz também é de boneca). E os morangos ficam um pouquinho (só um pouquinho) mais azedos com Strawberry Mud Pie. Agora, a barulheira que eu curto começa com 54 Nude Honeys, power trio, roupinhas de couro, guitarra suja e vocal berrado. Passa por Plastic Nine, que já segue uma linha mais Motorhead. Continua por GitoGito Hustler e um estilo mais Ramones. E termina em Crispy Nuts, com as madeixas metade loiras, metade pretas da Momo e o som completamente influenciado pelo punk inglês.

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Sem tempo…

Desculpem a falta de tempo. Prometo que esta semana vou dar um gás para ler todos vocês e postar pelo menos duas vezes para compensar a ausência. Saudade de todos.