Berlim: chegando num domingo

Desci na Espanha para fazer conexao e tudo na minha vida jah comecou a ficar diferente. O voo Madrid-Berlin era lotado de velhinhos indo passar um final de semana germanico. Lembrei que umas coisas que mais adoro na Europa eh o quanto as pessoas tem uma velhice incrivelmente mais saudavel e divertida. A senhorinha que veio sentada do meu lado, viuva, toda cheia de si, arrumou uma paquera na esteira de bagagem no aeroporto de Tegel, em Berlim. O conquistador nao levou lah muita atencao, mas bem que ela ganhou o dia.

Bem, eu choro, ta? Chorei na Torre Eifel, nas piramides do Egito, em Jeju Island (quando subi quilometros numa montanha pra ver um buda cravado na pedra) e na 53rd and 3rd. Chorei, sim, ao por pes em Berlim. Sempre tive vontade de conhecer pela Segunda Guerra, o design, os descolados e os punks.

Arrumei um hostel em Wedding, um bairro que esta a caminho de se tornar tendencia. Varios “maluquinhos”, muito turco e croata. Totalmente residencial, o hostel fica no primeiro andar de um predio de apartamentos. Baraterrimo, limpo e fofissimo, com pinturas de temas aquaticos por todos os lados e moveis da Ikea. A noite rola um “get together” com outros hospedes na cozinha.

Domingo tudo fecha. Ou seja, soh me restou andar que nem louca pela cidade pra me ambientar. De fora eu consegui ver praticamente varios dos principais pontos turisticos. Bem, quando cheguei no metro me toquei que nunca antes tinha viajado sozinha pra um pais onde nao entendo absolutamente nada.

Comprar o ticket do metro foi bizarro e, pior, ainda nao entendi onde e nem quantas vezes eu preciso validar ele por dia. Ou seja, podia estar pegando metro sem pagar nada. E vou falar que jah andei me perdendo, pra decorar esses nomes de rua que terminam em “burger”, “berger”, “hopfen” eh um deus nos acuda e esse povo aqui nao fala muito ingles nao. Sao todos muito simpaticos e afim de ajudar, mas chega uma hora que nego aponta e eu vou, porque dialogar eh simplesmente impossivel.

Caminhei pela beira do rio proximo a ilha dos museus, fui na Alexander Platz, dei um role na Oranienburger Strasse (onde almocei um queijo cammembert empanado delicioso no Cafe Oranien). Entrei na Neue Synagogue que por fora eh linda, mas por dentro nao tem nada de mais. Caminhei pela Rosenthaler Strasse, vi bares e restaurantes incriveis, espiei o Hackescher Markt e fui, fui, fui.

A Postdamer Platz eh suntuosa, mas achei que o Sony Center fosse mais high tech do que eh. Realmente eh um icone da arquitetura moderna alema que tao bem contrasta com os predios historicos e monumentos. Alias, Berlim eh uma das cidades mais”verdes” que eu jah vi. Sensacional.

O calor tah um inferno. Todo mundo de bike, tomando sol na beira do rio e nos parques (ha quem ande por ai soh de biquini), e realmente eles sao todos lindos. Passo o dia encantada com a beleza natural das pessoas.

Terminei a tarde vendo a Filarmonica de Berlim. O predio eh maravilhoso, por dentro eh coloridissimo, chiquerrimo e a sala de concertos lembra um pouco o conceito de acustica da Sala Sao Paulo. Nao era o corpo principal da orquestra, mas era com Simon Rattle — eximio e famoso por seus movimentos corporais dramaticos. Ve-lo eh ter certeza de que um maestro faz toda diferenca. Mas o mais legal mesmo foi povo chegando de bicicleta na boa. E tava cheio, bem cheio.

Ah, teve Alemanha 2 x 0 contra a Polonia pela Eurocopa. Eles estavam animados, mas nada que se compare as nossas torcidas. Como a Alemanha eh favorita, quem sabe na final a coisa realmente esquenta. Tah bom, eu preciso baixar as fotos. Jah sao muitas! E a fofa aqui fez questao de vir desconectada (sem celular, nem laptop… nada!). To tremendo! Mas resistirei. Entao, quando rolar um tempinho coloco algumas aqui e o resto no Flickr.

Alienista total!

Ah, vai me dizer que você não tem paranóias? Pô, tenho várias. A pior delas é bem complexa. Abro um conjunto (veja bem, conjunto) de shampoo e condicionador da mesma marca. Óbvio que o shampoo termina antes que o condicionador. Jamais, mas é jamais mesmo, abro um shampoo daquela mesma marca para usar com o condicionador já pela metade. Eu prefiro, neste caso, comprar um shampoo de outra marca qualquer, mas num frasco menor, só pra esperar aquele condicionador acabar. Aí eu abro outro par feliz da vida, entendeu?

Eu também preciso checar duas vezes antes de sair de casa se realmente não deixei torneiras pingando, luz acesa e aquecedor a gás ligado. E é sério. Eu faço duas “rondas” pela casa antes de sair pra trabalhar. Também tenho semanas marrom e semanas preto. Isso porque as bolsas determinam o tom das roupas. Se por acaso estou usando uma bolsa de tons marrons, todas as roupas daquela semana combinam com esses tons. Aí se por acaso eu preciso muito usar algo em tons de preto, aí todo o resto acompanha. Isso é quase uma lei na minha vida.

E todos os nichos têm áreas muito bem determinadas. Minha geladeira tem espaços específicos (ainda que as divisórias sejam imaginárias), assim como a minha sapateira tem toda uma lógica de arrumação por estações do ano. Pois é, parece meio neurótico, mas não saberia ser de outro jeito. E aposto que você também tem alguma mania boba da qual é impossível se livrar, né não?

Pô véio!

Cenas bizarras que só se passam comigo. Estava eu no médico, esperando para ser examinada e eis que toca o Nextel do doutor, que decide atender no  viva voz (abaixo, em versão resumida).

- Meu amor, o fulano tá querendo ir no show. Mas acabei de saber que ele não vai dormir na fazenda pra voltar no dia seguinte. Aquele ciclano, que deu piti aquele dia, é que vai voltar dirigindo de madrugada. Isso não tá legal, meu bem. Querido, ele está mentindo e eu acho que vc precisa ligar pra ele agora.

- Mas o que você quer que eu faça? Cada cabeça é uma sentença!

- Não, a gente que tem cabeça de pai é que tem que brecar isso.

Com uma super boa-vontade e uma cabeça de pai incrível, ele chama o filho no Nextel, de novo em viva voz. Ainda bem que ele avisa as pessoas de que os outros estão ouvindo tudo, assim todos se importam ainda menos com o desconforto alheio.

- Ô meu filho, que história é essa do ciclano voltar dirigindo de madrugada? Você me disse que ia dormir na fazenda do beltrano e voltar de manhã cedo. Olha, eu não quero vocês voltando bêbados ou com sono, heim? Por que é que você mentiu?

- Véio, pô véio, não é nada disso. Olha, eu não quero mentir pra você. Meu, é que não rola ficar na fazenda. Mas o ciclano dirige bem, o piti foi só naquele dia e tá tudo certo. Véio, ele nem vai no show. Ele vai ficar dormindo no carro e a hora que a gente voltar já vai ser de manhã. Véio, na boa. Tá tudo bem, sacou?

- Olha, você só tem 16 anos e uma vida pela frente. Sua mãe não é trouxa. Como é que eu faço? Desse jeito você não vai! Eu quero que vocês voltem de dia, descansados. Eu não confio no ciclano. Se beberem, se ele não estiver em condições, você e seu primo tem que voltar de táxi. Eu pago o táxi, mas você tem que me prometer não voltar com esse ciclano se perceberem qualquer coisa errada.

- Véio, confia em mim. O cara nem vai no show. E a gente não vai beber muito. E ele vai dormir antes da gente voltar. Sério, véio. Tá tudo bem. Agora, mano, tem que liberar a minha mãe.

Entra o primo na linha.

- Tio, pô véio, a sua mulher foi falar com a minha mãe que tá surtada, tá ligado? Tô aqui passando vergonha na frente dos meus amigos porque a minha mãe fica dando piti. Pô véio, você sabe que minha mãe é neurótica. Tá embaçado, véio. Pô, cobre essa pra gente.

- Mas, escuta, a sua tia não é idiota, como é que eu vou fazer?

- Pô véio, sei lá, mas a minha mãe tem que achar que eu dormi na fazenda. Meu, fala pra minha mãe que eu dormi lá, cara, sério. Você e a sua mulher tem que dar um jeito, mano.

- Chama meu filho de volta.

Volta o filho.

- Escuta aqui. Vocês vão voltar de táxi se o ciclano não estiver bem pra digirir. E você vai ligar pro dono da fazenda e ele vai dizer que vocês dormiram lá. Ou a coisa vai sujar pra mim. Então, eu vou dizer que vocês combinaram comigo que vão dormir e voltar de dia. Mas o cara lá tem que confirmar a minha história. Então você manda o beltrano falar que vocês ficaram na fazenda. E o ciclano não pode beber, nem dirigir que nem louco. Eu vou ficar de olho pra ver como vocês chegam, heim?

- Falou, véio, valeu. Tá sussa.

E assim caminha a humanidade…

Ah, meu, olha pra lá!

Estou precisando perder alguns vários quilos e, portanto, tenho tentado frequentar a academia. Na boa, fazer ginástica é muito chato! É necessário, faz bem pra saúde, mas vamos combinar que o esforço é monumental.

E me desculpem todos vocês sarados, corados, bonitos, com suas roupas Everlast e seu nada pra fazer a ponto de malhar até duas (!) vezes no mesmo dia. Eu trabalho muito, sabe? Sou inteligente, culta, falo vários idiomas e resolvi me deixar ser explorada por uma multinacional, com jornadas de longas horas e alguns benefícios no final do mês. Seu eu conseguir fazer ginástica por uma hora, três vezes por semana fiquem muito, mas muito satisfeitos.

Exatamente porque eu sou, assim, gordinha, normalzinha e tal, jamais na vida vou gastar dinheiro com roupa pra ficar suando em cima da esteira (ah, sim, porque graças a Deus todas as minhas glândulas funcionam incrivelmente bem). Portanto, gostem ou não, minhas camisetas são “de reclame”, o legging é aquele mesmo de sempre e não, o tênis não combina com a alça do top.

Desculpem, mas as minhas medidas são estas mesmo. E pra diminui-las é preciso muito sofrimento. Eu poderia fazer lipo, drenagem, massagem redutora, plástica, aplique no cabelo, laser no corpo todo e colocar silicone nos seios. Mas prefiro usar esse dinheirão todo pra viajar. Entre ser perfeita pra agradar vocês e chorar de alegria quando desço do avião em um lugar bem esquisito no outro canto do planeta…

E, sim, adoro vinho, cerveja, chocolate, pão de queijo, macarrão, batata…Então eu preciso controlar mesmo. Não, não enfio o dedo na garganta, não vomito depois de cada refeição, não tomo anfetamina e não faço jejum. Eu engordo, bem fácil por sinal. Essa é a minha genética.

Portanto eu estou me esforçando horrores pra fazer dieta. Eu quero, sim, emagrecer e melhorar a minha auto-estima. Mas, por favor, não esperem que algum dia eu tenha vocação para ser cocotinha de musculação. Isso jamais vai acontecer meus queridos.

Hoje vou à academia por necessidade e num baita mau-humor. Amanhã talvez eu começe a ir por prazer e para manter a saúde, mas o figurino vai continuar o mesmo. Sendo assim, no lugar de ficar me encarando com desprezo, olhem pro outro lado. Pra que prestar atenção justo em mim??

Um seriado bem masculino

Tô curtindo assistir a Big Shots todas as quartas-feiras na Warner Channel. Quatro amigos bem-sucedidos que discutem sexo, relacionamento e negócios sob uma ótica bem masculina. Eles jogam golfe, fumam charutos, bebem whisky, frequentam um clube pra lá de VIP e, óbvio, mostram como os homens sabem se unir em qualquer circunstância.

James Walker descobre que sua mulher estava tendo um caso com seu chefe, mas acaba assumindo o lugar dele como CEO de uma grande companhia assim que ele morre envenado pela esposa. Brody Johns é vice-presidente de uma empresa especializada em gerenciamento de crise, mas gerenciar sua mulher é uma tarefa quase impossível.

Karl Mixworthy está em terapia de casal, mas arruma uma amante que resolve se tornar a melhor amiga de sua esposa. Agora as duas são unha e carne, enquanto ele vê seu romance extra-oficial virar praticamente uma guerra. Duncan Collinsworth é lindo, apaixonado por sua ex-mulher e galinha (a ponto de, assim como o craque Ronaldo, confundir travesti com top model).

Vale a pena conferir alguns episódios pelo menos para se divertir um pouco com a “psicologia machista”. Mas não precisa se sentir culpado se achar coisa melhor pra fazer naquele horário…

Não, eu não quero chope!

Tenho uma sugestão a fazer: bares de São Paulo, por favor adotem o esquema das churrascarias e disponibilizem os avisos verde (sim, eu quero mais chope) e vermelho (pelo amor de Deus párem de vir na minha mesa, atrapalhar a minha conversa e levar o meu copo embora enquanto ele ainda está pela metade). Na boa, os caras só podem ganhar comissão. Sábado passado, enquanto ficava irritada num bar com as minhas amigas, perguntei pro simpático:

- “O senhor ganha por bandeija servida?”
- “Não, dona, é que eu só trabalho com chope, entendeu?”
- “Como assim? Você ganha por chope vendido?”
- “Não, dona, é que eu só trabalho com chope, entendeu?”
- “Entendi”

Ia falar o que depois de ouvir duas vezes a mesma coisa. Enfim, continuo sem saber porque as choperias têm sempre essas pessoas incômodas que ficam tentando entuchar a gente a todo custo. E é por isso que me mantenho fã da boa e velha cerveja de garrafa, em boteco pé sujo e garçom que só chega junto quando a gente chama.

Lilith: uma homenagem ao direito das mulheres de enlouquecer

Quem já ouviu falar em Lilith acha que ela é apenas a lenda do demônio da noite que espalha doenças e morte. Mas ela pode ser considerada o primeiro grande símbolo feminista de que se tem registro. Segundo textos hebraicos, Deus criou Adão masculino e feminino, cortou-o ao meio e dessa metade nasceu Lilith. E como os homens torram a paciência das mulheres desde o Jardim do Éden, Lilith teve uns probleminhas e não deixou barato.

Alguns escritos contam que Lilith foi oferecida a Adão em casamento e, ofendida por ter de se submeter ao rapaz, preferiu compactuar com o Diabo. Mas a história que eu mais gosto de contar é que, sim, Lilith foi a primeira esposa de Adão. Cansada de se sentir menosprezada e inferior, passou a contestar o marido.

Além disso, de acordo com o Talmud e o Alfabeto de Ben Sirá, ela não queria mais ter que ficar sempre por baixo na hora do sexo, suportando o peso do bonitão. E vendo que Adão jamais lhe respeitaria em igualdade, se revoltou, profanou o nome de Deus e foi embora do Éden. Assim ela foi parar na escuridão. Triste por ter sido abandonado, Adão reclamou com o Todo Poderoso, que resolveu criar a Eva de acordo com todos os padrões da sociedade patriarcal.

Portanto, fico do lado de quem elege Lilith um ícone da força feminina no mundo moderno. Ela é uma ode ao direito das mulheres de enlouquecer, berrar, espernear e sair andando todas as vezes que precisarem reivindicar o amor e o respeito que realmente merecem. Quem nunca teve um namorado/marido-empiastro que atire a primeira pedra.

Mas não, nós não vamos mudar a raça humana, especialmente os seres do sexo masculino. Acreditem, já virei demônio e não valeu a pena. Tudo bem que o cara aprendeu umas boas lições comigo, mas continua cafajeste.

Se Lilith tivesse só ido embora do Paraíso sem fazer escândalo, talvez ela tivesse tido a honra de biblicamente conceder às mulheres as virtudes que Eva fez o favor de nos tirar ao meter a boca na maçã, além de nos livrar de séculos de submissão e migalha. Então, viremos as costas como Lilith, sempre tentando manter a elegância. Agora, se não der, façamos mesmo um barraco que tem muito cara que merece e é bem libertador.

Oi!

Tudo bem?  Tudo bem. Putz, pois é, demorou. Mas voltei. Faz tanto tempo que nem sei por onde começar. Mudei. Muito. Aconteceram tantas coisas nos últimos meses! E aí?  O que vou escrever?  Hum… Gostaram do layout novo? E vocês? O que vocês andaram fazendo?

Blog novo em breve

Pois é, estou definitivamente migrando pro WordPress. Pretendo estrear o novo endereço ainda meio “miguxo”, com melhorias a serem feitas, mas o importante é que em breve terei um blog mais “profissional”. Vocês me esperam só mais um pouquinho? Prometo que já volto! Beijos

Boas festas