Grávidas doem o seu xixi!

Fui outro dia a uma reunião num cliente e me deparei com um cartaz do Programa HCG, uma campanha que incentiva grávidas a doar urina até a 18a semana de gestação. O Hormônio Coriônico Gonadotrófico é liberado pela placenta e ajuda a manter a gravidez no início do desenvolvimento do embrião. Ele tem sido amplamente usado como matéria-prima na produção de medicamentos para tratamentos de infertilidade.

O programa existe desde 1986 em São Paulo e Minas Gerais — não sei há alguma indústria farmacêutica por trás da iniciativa. E, convenhamos, doar xixi é razoavelmente fácil e pode ajudar a realizar o sonho de muitos casais. Sou totalmente pró-adoção, mas dar à luz um filho é tão mágico que todas as mulheres do mundo merecem passar por essa experiência.

Apenas fico surpresa de nunca ter ouvido falar dessa campanha antes. Espero que mais empresas contribuam para a divulgação do programa e que médicos passem a orientar suas pacientes. O mundo pode até estar uma porcaria, mas só vamos mudá-lo se colocarmos pessoas mais legais por aqui, não? E já que a gente fala tanto de ajudar o próximo, tá aí uma coisa fácil e sem custo.

Lipo agora tem utilidade

By Richard Harris

By Richard Harris

Tenho aflição de lipoaspiração. Mas de acordo com o blog Eco Geek, isso pode ajudar a salvar o planeta: inventaram o Earthrace, um barco movido, entre outras coisas, a gordura humana. O neozelandês Pete Bethune e sua família venderam tudo o que tinham para construir o trimarã. Ele próprio teve a gordura de seu corpo sugada, o que rendeu 100 ml de biocombustível para ser misturado a outros biodiesels que fizeram a engenhoca funcionar.

O Earthrace – com potência de 540 cavalos e que custou US$ 2,5 milhões para ser construído –  bateu o recorde danto a volta ao mundo em 60 dias, 23 horas e 29 minutos, e provando que é possível ter um barco rápido, totalmente feito com madeiras sustentáveis e materiais reciclados, com uma tripulação consumindo somente comida orgânica e numa viagem 100% carbono neutra.

Pelo menos a obsessão pela beleza pode agora se transformar em algo benéfico ao invés de apenas encher o bolso dos cirurgiões plásticos. É melhor que a gordura da mulherada vire combustível alternativo do que sabão, nas mãos de um louco como Tyler Durden.

One Day as a Lion: outro projeto solo frustrante

O povo reclama tanto na minha orelha que vou voltar a fazer posts sobre música, retomando a série Riot Girrrrls, com bandas femininas alternativas de diversas partes do mundo, resenhas de shows (embora eu esteja indo a poucos concertos ultimamente), velharias e coisas que eu descubro na Internet. Mas não prometo que vou conseguir escrever toda hora, ok?

Enfim, estava escutando o EP do One Day as a Lion, projeto novo do Zack de la Rocha com Jon Theodore, ex-baterista do Mars Volta. O nome vem de uma fotografia tirada em 1970 por George Rodriguez de um muro em Boyle Heights, Los Angeles, com a frase “It’s better to live one day as a lion, than a thousand years as a lamb” (melhor viver um dia como um leão do que mil anos como um cordeiro).

Theodore é um excelente baterista, Zack continua incrivelmente engajado, mas sou meio contra projetos solo. Eles sempre carregam bases das bandas de origem e, na maioria das vezes, acabam virando versões pioradas do mesmo.

E One Day é uma versão piorada de Rage Against the Machine. No lugar da guitarra e do baixo, Zack tira distorções do teclado, o que pode parecer brilhante na primeira faixa, mas se torna repetitivo ao longo do álbum. Sua voz e a pegada meio rap também fazem com que a comparação com o Rage seja inevitável, assim como as letras, bem menos surpreendentes.

Numa entrevista ao Los Angeles Times ele mesmo reconhece que One Day precisa de melhorias. “Não, esta não é uma explosão de energia apenas. Vamos gravar discos, escrever músicas. Estamos no processo de formar a banda. Precisamos de um tecladista. Não sou bom o bastante para fazer tudo sozinho. Portanto, vamos nos reformular em breve”.

Da mesma forma como sempre achei que o Audioslave subestimava o talento de Tom Morello, Tim Commerford e Brad Wilk, One Day não reflete a genialidade de Zack e não empolga quem espera por inovações. Ele foi bem mais criativo quando criou March of Death, com DJ Shadow, e encarnou raízes do bom e velho hip hop, juntando-se ainda a Chuck D e The Roots para gravar “Mumia 911“. Se contarmos ainda a antiga parceria com KRS One, tudo isso parece ter saído muito mais do âmago. “Quando deixei o Rage estava de coração partido e fiquei obcecado por reinventar a minha roda por completo”, ele disse ao LA Times. Então talvez ele esteja outra vez precisando de algumas doses de depressão.

Depois de ter visto o Rage ao vivo em Berlim, em junho deste ano, fica difícil não desejar que eles gravem um novo álbum. O entrosamento no palco, o som perfeito, os solos improvisados e hipnotizadores, a força das melodias, o ritmo das letras, os pulos e tombos do Zack. Não dá pra aceitar que isso tudo continue secundário na vida deles. “Muita coisa mudou. Quando você fica mais velho, olha para o passado e tem outra perspectiva sobre os problemas. Nossa relação está melhor do que nunca (…) Vamos continuar fazendo shows (…) Mas quanto a gravar música no futuro, não sei o que todos pensam disso”, contou ele na entrevista. Que pena.

Deixo aqui uma mostra de One Day as a Lion pra vocês: 05-one-day-as-a-lion

Jóias fazem mal

Há uns bons anos não uso mais jóias. Apenas bijuteria e artesanato. Na era do politicamente correto, a indústria do luxo é constantemente atacada pelo uso de animais na confecção de roupas e na fabricação de cosméticos e perfumes, mas pouco se comenta sobre o quanto a extração de ouro e pedras preciosas (principalmente o diamante) afeta nações inteiras e perpetua a pobreza pelo mundo.

Ao contrário do que se pensa, há muitas décadas a extração de ouro deixou de ser na base da peneira. Minas são criadas frequentemente, sobretudo nas proximidades de florestas tropicais e aldeias indígenas, e não se encontra mais ouro em pedaços (ou nuggets). Para fabricar um simples anel é necessário remover mais de 20 toneladas de pedras que recebem jatos de cianureto, para a extração de partículas microscópicas do metal, e que acabam contaminando os lençóis freáticos e prejudicando as populações ao redor das minas.

O processo de drenagem dessas pedras é feito ainda com ácido sulfúrico, mercúrio, e muitos afirmam que a extração de ouro polui mais do que qualquer outra indústria. Além disso, as condições semi-escravas das minas levam aos mais altos índices de morte por acidente de trabalho.

E embora o ouro seja necessário na produção de diversos componentes eletrônicos e eletrodomésticos, 80% do total extraído no mundo é usado na fabricação de jóias. Nos últimos 10 anos, o preço do ouro mais que triplicou e a quantidade de mineradores ilegais também. Estima-se que existam cerca de 20 milhões de mineradores autônomos responsáveis por 10% da produção de ouro e diamantes, e 75% da produção de gemas. Quem acompanha os conflitos em Angola, Serra Leoa, Sudão, Gana, Costa do Marfim e Congo sabe o quanto diamantes de sangue ainda patrocinam guerillhas, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Muitas entidades têm tentado erradicar esses problemas. A No Dirty Gold trabalha pela conscientização sobre os prejuízos da produção de ouro ao redor do mundo e batalha por melhores práticas. O Council for Responsible Jewellery Practices certifica mais de 80 joalheiros com base em normas desenvolvidas para uma extração mais “sustentável”.

Até mesmo a ONU têm buscado criar parâmetros para o uso controlado de substâncias químicas no processo de produção do ouro. E o Kimberley Process Certification System foi colocado em prática em 2003 para evitar que os diamantes de sangue sejam comercializados. Oficialmente diz -se que 99% das pedras vendidas hoje não vêm das zonas de conflito, mas sabe-se que o monitoramento é falho e que o contrabando de diamantes continua.

Por isso, tão importante quanto deixar de comer carne, reciclar lixo e papel, apagar a luz , economizar água, não usar casacos de pele verdadeira, sapatos de couro ou cremes de fabricantes que fazem testes com animais, é abrir mão da ostentação. Ninguém precisa de anel de ouro ou brinco de brilhantes pra viver. Ou seja, tá fácil contribuir pro planeta.

Adeus Tina

Vinte dias atrás escrevi “Parfum?”, sobre a falta de criatividade nas propagandas de perfume. Ali, Tina Oiticica, do Universo Anarquico, teve a gentileza de me deixar um recado, preocupada com o meu bem-estar depois de ver um comentário meu no Twitter.

Eu, com a minha mania de viver para o trabalho e deixar a vida pessoal para depois, li o comentário e passei essas últimas duas semanas e meia pensando que eu precisava entrar lá no blog dela para dizer que, sim, estava tudo bem. Eu apenas precisava de cinco minutos pra dizer o quanto as visitas dela eram importantes e o quanto muitas vezes são os amigos virtuais que nos amparam e nos fazem sentir queridos.

Hoje, finalmente parei para dar um alô. Tina morreu. Seu marido, num dos gestos mais bonitos que eu já vi, continua o blog contando um pouco sobre ela. O choque, a culpa e o vazio são imensos. Nunca conheci Tina pessoalmente. Desde que voltei a blogar, há um ano e meio mais ou menos, ela sempre esteve aqui, em todos os posts, memes e reflexões. Foi um prazer ler seus escritos e compartilhar um pouco da minha vida com ela.

Mas faltaram cinco minutos de dedicação. E por isso este post é também um pedido de desculpas a todas as pessoas que semanalmente vêm aqui e não encontram nada. A todos que sempre comentam as minhas experiências, mas que quase nunca recebem um comentário de volta. É imperdoável que, mesmo sem tempo para blogar, eu não dispense uma hora por semana que seja para prestigiar laços tão distantes e ao mesmo tempo tão valiosos. E, Tina, fique bem.

Plano B: caçar fantasma

Ontem resolvi assistir ao programa Caçadores de Fantasma no SciFi Channel. Foi bem hilário. Imaginem que existe uma empresa especializada em detectar atividades paranormais ou fantasmagóricas em locais teoricamente assombrados. Mas o melhor foi que eles simplesmente não encontraram Gasparzinho algum nos dois lugares investigados nesse episódio que eu vi.

Óbvio. Eles instalam um monte de câmeras, máquinas fotográficas e medidores de temperatura pelos cômodos. Aí eles se dividem em duplas que ficam esperando o morto aparecer. Nunca vi fantasma na vida, mas se eu fosse uma dessas almas perambulando por aí certamente iria fazer questão de não dar qualquer sinal pra esse povo chato que fica atrapalhando as assombrações dos outros.

E as desculpas que eles dão pra justificar que não tem fantasma nenhum? Primeiro eles viram uma névoa, mas podia ser reflexo da iluminação da rua. Depois eles acharam que viram um vulto passar, mas podia ser um morcego do lado de fora da janela. A sensação de que luzes se acendiam era também reflexo dos faróis do carros. Ah, fala sério! Alguém paga pra escutar esse monte de baboseira?

Gente, cansou de trabalhar, tá meio de saco cheio do chefe e não sabe o que fazer da vida, compra um monte de máquina fotográfica, uma filmadora, um livro de parapsicologia e pronto! Vai caçar fantasma. Cobra uma grana, porque afinal você estará se vendendo como um especialista em penados e afins, e nem precisa ter dó de enganar as pessoas. Elas acreditam em assombração, pô!

Parfum?

Já faz algum tempo que propagandas de perfume têm me irritado. Na boa, acho que é o mesmo carinha preguiçoso que inventa os comerciais de todas as marcas. É tudo sempre igual!!!!

Uma musiquinha bacana de alguma banda despontando na NME, um vestidinho da própria grife, uma mulher ou um cara andando de um lado pro outro e balbuciando qualquer coisa que não dá nem vontade de entender.

Quem mais tem trabalho ali é a pessoa do cenário, que coloca pétala de rosa boiando na água, frasco pendurado em árvore ou uma janela enorme com uma vista sensacional.

Agora, sério, de verdade: cadê a criatividade desse povo?

Berlim – RATM o setlist

Muita gente me perguntou o setlist do show do RATM. Eu não lembro exatamente a ordem das músicas. É tanta adrenalina que a gente fica meio desbaratinado e sem saber o que aconteceu depois. Pelo o que eu andei checando, estou 99% certa . Vejam:

Testify
Bulls on Parade
People of the Sun
Bombtrack
Know your Enemy
Bullet in the Head
Clampdown (The Clash – cover)
Guerilla Radio
Ashes in the Fall
Calm like a Bomb
Sleep Now in the Fire
Wake Up

1o bis:
Freedom
Township Rebellion ( ?? – não me lembro, mas acho que tocaram sim)
Killing in the Name

2o bis:
Tire Me
War Within a Breath

E aqui um video que achei no Youtube, de Guerrilla Radio. Absolutamente sensacional. Me arrepia…

Berlim: os últimos dias

Resolvi ir até Potsdam onde fica o Palácio Sanssouci. Ao contrário do que eu disse antes, esta sim é a versão alemã de Versalhes (mas os franceses são mesmo bem melhores). Pra variar, a saga. Você teoricamente pega o metrô até a estação de Potsdam Hauptbahnhof.

Acontece que ao chegar lá não existe qualquer sinal de palácio em lugar nenhum. Você finalmente encontra uma placa do outro lado da rua. “Park Sanssouci 2,5″. E pensa que o lugar está a alguns quilômetros dali. Mas isso é só até a próxima placa. Aí você começa a querer perguntar pras pessoas pra ter certeza de que está na direção certa. E elas não falam inglês.

- Schloss Sanssouci?

- Ja. Habpshdh hopfen brack folgoldolptham… blabs.

- Ah, ok. I go straight ahead and then turn right?

- Ja. Habpshdh hopfen brack folgoldolptham… blabs.

Bem, assim foram 10 dias em Berlim. Perdida que só, andando que nem louca para achar os lugares, mas feliz da vida porque toda vez que entrava na rua errada descobria alguém ou alguma coisa interessante pra observar — pra depois ter que andar outra vez que nem camela até chegar ao local que estava originalmente procurando.

Schloss Sanssouci, residência de verão de Frederico, o Grande, vale pelo jardim mais do que pelo palácio em si, embora sempre seja bacana aprender algo novo sobre como viviam reis e rainhas de diferentes partes do mundo. A cidade de Potsdam é bem pacata, de arquitetura colonial e com aposentados andando de iate pelo canal. Cheia de cafés e restaurantes fofos, as flores já começavam a dar graças pela primavera. Foi um dia agradável e sossegado.

Depois aproveitei meus últimos momentos em Berlim pra comprar bugigangas e voltar aos bairros que mais me encantaram: Mitte, Friedrieschain e Kreuzberg. Restaurantes vegetarianos e cosméticos naturais estão em alta, mas nada como Londres onde tudo que é tendência tem que obrigatoriamente ser orgânico. Os fair trade shops também fazem sucesso por aqui. Não são muitos como na terra da rainha Elizabeth, mas já começam a ser hype.

Os cabeleireiros são um passeio à parte. Entrei em um onde metade do salão foi transformado em bar. É cheio de gente descolada, os móveis são ultramodernos e você pode ver e ser visto enquanto espera para dar um tapa no look. Não, eu não tive coragem de arriscar fazerem nada comigo em alemão…

Fui curtir a loja de livros de outro squat, o Der MehringHof, que é um centro cultural incrível, com um teatro independente e essa biblioteca, onde até consegui encontrar alguns títulos em outros idiomas. Passei horas ali mais uma vez prestando atenção nas pessoas, nas cores dos cabelos, nas posições dos piercings, nas barras das calças sem barra, etc.

E é isso. Essas foram as minhas férias-relâmpago. As bolhas estão de matar, mas a cabeça volta pra São Paulo em outra sintonia, graças a Deus. Deu um mega mau-humor de ter que voltar. Mas… Tudo sempre acaba, não é mesmo?

Berlim: Stasi, nazis & dogs

Uma coisa tem realmente me irritado: eles odeiam cartao de credito e varias lojas e restaurantes nao aceitam. Ou seja, to sempre contando trocado pra ver se o dinheiro que eu trouxe vai durar ateh o final. Por essa eu nao esperava!

Outra coisa eh um pouco desagradavel: sempre que a Turquia joga uma boa parte dos alemaes torce contra. Acontece que aqui isso nao eh uma briguinha tipo corinthiano versus sao paulino, e somos todos brasileiros. Essa eh uma briga entre duas culturas que precisam conviver e se aceitar. Bem complicado…

Caes. Eu simplesmente adoro como cachorros aqui sao educados, apesar da sujeira que deixam pelas ruas (e que os donos nao recolhem). Estava eu outro dia numa tratoria “almojantando” e eis que entra um casal com dois (!) labradores, senta na mesa ao lado e janta em companhia canina. Os cachorros nao pulam, nao pedem comida, nao importunam as outras pessoas, nao latem e nao saem do lugar. No minino adestrador aqui deve ganhar uma grana! No metro, alias, eles sao super sossegados. Amei.

Minha jornada neste final de semana teve mais a ver com holocausto e regime sovietico. Visitei a Gedenkstatte, uma prisao da Stasi que ainda mantem celas, moveis e acessorios da epoca em que a Uniao Sovietica dominou Berlim oriental.

O que vale mesmo eh a tour de duas horas em que o guia conta varias curiosidades sobre a barbarie cometida pelos comunistas. Inclusive como eles usavam a desculpa de que as prisoes e as torturas precisavam existir porque os presos eram nazistas, quando na verdade eles mantinham ali todo tipo de pessoa que arriscasse ir contra suas politicas.

Apos os anos 60, preocupados com sua imagem internacional, os comandantes da Stasi trocaram a forca fisica pela tortura psicologica. Eles muitas vezes proibiam os presos de sentar na cama durante o dia e os isolavam completamente, sem que pudessem falar com ninguem, nem com os soldados. O silencio, em boa parte do tempo, soh era quebrado com interrogatorios. Caminhar no quarteirao da prisao tambem eh uma aula de historia, jah que varios dos predios ali desativados perteceram a Stasi, servindo como laboratorio quimico, refeitorio, dormitorio de soldados, etc.

Fui tambem a Sachsenhausen, um campo de concentracao que foi usado tanto pelos nazistas quanto pelos comunistas. Nunca tinha ido a um desses campos antes e fiquei impressionada. O audio guide traz depoimentos reais de ex-prisoneiros. Ou seja, em cada cela voce escuta alguem contando algo horrivel.

As partes do campo que mais me impressionaram foram os dormitorios, onde vi aquelas beliches medonhas que sempre aparecem em filmes de holocausto, a trincheira onde judeus e outros prisioneiros eram executados a sangue frio e a camara de gas.

O crematorio tambem eh bem bizarro e ha varios tumulos espalhados pelo campo, inclusive em alguns deles soh estao as cinzas humanas que ficaram espalhadas por ali durante anos. Entender as diferencas de como o mesmo lugar foi usado de formas absurdas pelos dois regimes politicos foi interessante e incrivelmente deprimente. A Alemanha viveu tempo demais sob terror e sofreu demais com atraso economico e social por conta disso.

Mas descobri o lugar mais legal de Berlim: Friedrichshain. Eh onde ficam todas as pessoas mais “cool”, os restaurantes, bares e (pasmem!) roupas mais sensacionais. Conheci o Ralph, vendedor de uma loja de pecas “vintage” que mudou de Hamburgo pra Berlim ha tres anos e com ele fui ateh o Raw, um squat gigante, onde estah a rampa de skate e onde rolam festa muito legais, principalmente no Cassiopeia, um espaco pra eventos e shows dentro do Raw.

Tava morta e nao aguentei esperar a rave que iria acontecer ali depois da meia-noite, mas adorei ver a galera, prestar atencao nos looks, reparar que a moda aqui sao franjas coloridas e minissaia por cima do jeans com sapatilha de bico fino, alem de um monte de outras coisas bacanerrimas. Friedrichshain foi o “must” do meu final de semana.