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	<title>Vertente &#187; Flórida</title>
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	<description>Variedades e opiniões sobre música, cinema, coisas da vida e tudo mais.</description>
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		<title>Mundo Surreal I: Ling e sua viagem à Flórida</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Jul 2007 02:26:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiane</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sbaile em &#8220;Como sobreviver no primeiro mundo: a visita de Ling&#8221;. Cheguei a Florida. Loiras. Silicone. Cubanos. Velhos. Shoppings. Basicamente isso. Entro no messenger. Ling me chama pra conversar. Nunca vi na vida. Conheci num fórum de viajantes. É de Singapura.- Sbaile, você está em West Palm?- Sim.- Chego em Miami amanhã. Vai me buscar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://bp2.blogger.com/_AUT4_kvOFUU/Roxu8YY7kRI/AAAAAAAAAHE/E5oMhd6CkB8/s1600-h/Floria.jpg"><img style="float:left;cursor:hand;margin:0 10px 10px 0;" src="http://bp2.blogger.com/_AUT4_kvOFUU/Roxu8YY7kRI/AAAAAAAAAHE/E5oMhd6CkB8/s320/Floria.jpg" border="0" /></a> <a href="http://sbaile.zip.net/">Sbaile</a> em &#8220;Como sobreviver no primeiro mundo: a visita de Ling&#8221;. </p>
<p>Cheguei a <a href="www.visitflorida.com">Florida</a>. Loiras. Silicone. Cubanos. Velhos. Shoppings. Basicamente isso. Entro no messenger. Ling me chama pra conversar. Nunca vi na vida. Conheci num fórum de viajantes. É de <a href="www.visitsingapore.com">Singapura</a>.<br />- Sbaile, você está em <a href="www.cityofwpb.com">West Palm</a>?<br />- Sim.<br />- Chego em <a href="www.viagensimagens.com/miami.htm">Miami</a> amanhã. Vai me buscar no aeroporto?<br />- Como?<br />- É! Estou em <a href="www.watertoninfo.ab.ca/tmont.html ">Montana</a>. Perto do <a href="www.canada.org.br/">Canadá</a>. Minha primeira volta ao mundo!<br />- Uhuuu, yeah, yeah. E aonde vai ficar em Miami?<br />- Não vou ficar lá, vou ficar na sua casa!<br />- Que?<br />- Não sou bem-vinda?<br />- Não&#8230; Digo&#8230; Ling, eu não tenho casa!<br />- Sbaile, você sempre viaja, sabe como os hotéis são caros. Eu fico em qualquer lugar, pode me colocar pra dormir no chão, no sofá, eu não me importo! <br />- Que horas você chega a Miami?<br />- Cinco e meia da manhã.<br />- Puta que pariu! Tá bom, tá bom. Manda uma foto, não lembro mais do seu rosto.<br />- Sou de Singapura, devo ser a única asiática lá. <br />- Deve ser a única pessoa lá às cinco e meia da manhã! <br />- Vôos noturnos, são mais baratos.<br />- Tá. Combinado. Apareço lá.<br /><span style="font-style:italic;">Acordo às três da manhã e dirijo uma hora e quinze minutos até o aeroporto. </span><br />- Sbaile, minha querida! Obrigada por vir até aqui. Nem sei como agradecer.<br />- Tá tranqüilo, Ling. Entra aí no carro. <br />- Estou tão feliz por finalmente te conhecer!<br />- Tem piscina em casa. Gosta de nadar?<br />- Adoro!<br />- Que bom. É tudo o que vai fazer enquanto estiver comigo.<br />- Não tem mais nada pra fazer?<br />- Não. Esta cidade é cheia de velhos, Ling. Sei lá, de repente tem uns clubes de xadrez da terceira idade, uns grupos de ajuda para generais aposentados após perderem membros no <a href="www.vietnamtourism.com">Vietnã</a>. Só sei que todo entretenimento nessa droga é voltado a velhotes.<br />- E por que você veio pra cá?<br />- Eu estudo aqui, Ling. A pergunta é: por que você veio pra cá?<br />- Pra te ver, Sbaile!<br />- Ah, não precisava.<br /><span style="font-style:italic;">Nunca essa frase saiu da minha boca num tom tão verdadeiro. Meu nível de estresse estava tão alto que resolvi mudar de lado com ela. Agora, ela que me agüentasse.</span><br />- Ling&#8230; Deixa eu te perguntar uma coisa. Qual é o sentido da vida?<br />- Não faço a mínima idéia.<br />- Como não?<br />- Sei lá. Estamos todos aqui, deve ter alguma razão. Mas como eu vou saber? Você deveria perguntar a um filósofo, sei lá.<br />- Não, Ling. Todos os bons filósofos morreram. Perdi minhas chances. Quero saber qual é o sentido da sua vida.<br />- E por que quer saber isso?<br />- Curiosidade.<br />- Eu estou na minha primeira volta ao mundo. Quero viajar. Sempre quis. Acho que o ser humano é um animal fascinante, por isso gosto de conhecer pessoas e me relacionar com elas em contextos diferentes, lugares diferentes. Estar aqui com uma brasileira na Flórida é diferente de estar com você na <a href="www.indiaconsulate.org.br">Índia</a>. O ambiente muda, o cenário muda, as pessoas mudam.<br />- O sentido da sua vida é viajar, então?<br />- É. Acho que sim.<br />- E essa é sua contribuição para a humanidade?<br />- Melhor que ser bancária.<br />- É. Faz algum sentido. E como você arruma grana pra viajar? <br />- Me casei com um milionário.<br />- De Singapura?<br />- Não, <a href="www.sweden.se">Suécia</a>.<br />- E por que ele não veio com você?<br />- Tem que trabalhar.<br />- Para pagar a sua viagem, suponho.<br />- Aliás, como você faz pra pagar a faculdade?<br />- Não me casei.<br />- Como assim?<br />- Se tivesse me casado, teria que dividir água, luz, telefone, ração do gato, aluguel. Não sobraria nada pra faculdade. <br />- Não se você tivesse se casado com um rico.<br />- Nunca conheci um homem rico, eu acho. Nem um pobre que quisesse se casar comigo. Resolvi arrumar um emprego.<br />- Faz bem. Às vezes o preço da dependência financeira é alto demais.<br />- Seu rico é muito feio?<br />- Não, mas às vezes eu quero sair com amigos e ele me quer lá, fazendo chá pra ele.<br />- Puta merda, Ling. Fazer chá? É um preço bem razoável, você não acha?<br />- Queria mais liberdade, só isso.<br />- Casou pelo dinheiro?<br />- Não. Sempre tive dinheiro. Me casei por amor. Mas sabe, Sbaile&#8230; Abrir o vidro do seu carro sob o sol da Flórida e colocar a cabeça pra fora como se eu fosse um cachorrinho de madame, poder gritar pela janela aqui, conhecer pessoas novas&#8230; Isso não tem preço. <br />- Tem sim, Ling. Se você trabalhasse, saberia quanto as passagens estão custando.<br />- Você me parece muito preocupada com as coisas.<br />- Sou judia e financeiramente fodida.<br />- E isso explica o quê?<br />- Que fui criada para me sentir culpada cada vez que gasto dinheiro. E para odiar os homens, mas esse é um outro assunto.<br />- Você odeia os homens?<br />- Não, sou livre de preconceitos. Odeio todos por igual, ambos os sexos.<br />- Então por que você não coloca a cabeça pra fora do carro e grita: “Malditos! Morram, filhos da puta!”<br />- Porque não estou bêbada.<br /><span style="font-style:italic;">Ela coloca a cabeça pra fora da janela e grita alguma coisa em chinês que termina em inglês: &#8220;&#8230;you bloody mother fuckers!&#8221;</span><br />Alguém buzina.<br />- Shut up, bitches!<br />- Fuck off and die, bastard!<br />- Tá vendo, Sbaile? Esse é o sentido da vida. O sentido é que nada faz qualquer sentido e, se nada faz sentido mesmo, a gente faz o que quiser!<br />- Sabe o que me incomoda na Flórida?<br />- Que nenhuma banda boa vem pra cá?<br />- Isso também. Mas tem uma coisa que me deixa mais puta.<br />- Fala logo!<br />- O planejamento físico. É um complô, Ling! <br />- Sbaile&#8230; Você realmente se preocupa com o sentido da vida e com o planejamento físico da Flórida? Meu Deus!<br />- Veja só: qualquer bairro residencial fica a pelo menos dez minutos de carro do bar mais próximo, o que significa quase uma hora andando. Todos vão aos bares de carro.<br />- Todos vão a todos os lugares de carro. Você vai falar de <a href="en.wikipedia.org/wiki/Global_warming ">aquecimento global</a>? <a href="www.washingtonpost.com/wp-dyn/articles/A10714-2004Jun27.html">Guerra pelo petróleo</a>?<br /> &#8211; A questão é: eu não posso dirigir bêbada! Como alguém espera que eu vá e volte de um bar dirigindo se não posso dirigir quando bebo? Vê? É impossível ficar bêbado na Flórida!<br />- E se alguém for dirigindo pra você?<br />- Aí essa pessoa não vai beber e eu não confio em pessoas que não bebem.<br />- E você está preocupada com isso?<br />- Tem me atormentado os dias.<br />- Espera aí&#8230; Você não está legalmente autorizada a beber. Você tem vinte anos.<br />- Isso faz de mim uma criminosa. Mas já me acostumei com a idéia de vida do crime nos Estados Unidos. Tudo é crime nessa merda.<br />- Você tem cometido vários?<br />- Alguns. Tipo esse lance da idade: falsidade ideológica. Dirigir bêbada: pelo menos três vezes por semana. E por último e mais bizarro: trabalho ilegal.<br />- Você está ilegal aqui?<br />- Não. Estou com visto de estudante.<br />- E por que trabalha ilegalmente, então?<br />- Aí entra a parte bizarra: trabalhar é crime neste país! Eles estão me negando o direito ao trabalho, Ling! Vê se pode! Quando trabalhar é considerado um crime, o melhor piloto da Fórmula 1 é negro<br />
e o rapper mais famoso do mundo é branco, você percebe que esse mundo tá indo mesmo pro saco?<br />- Que merda!<br />- Quando eu for presa, sabe o que vão dizer? Mulher, latino-americana, com sobrenome libanês, judia&#8230; Claro que é criminosa! Olhando pra mim, você vê o sub do sub. <br />- Ainda sim, é melhor que ser bancária.<br />- Existe algo pior que ser bancária?<br />- Dentista. <br />- Malditos dentistas.<br />- Quer um cigarro, Ling?<br />- Não fumo. Obrigada.<br />- Bebe?<br />- Sim, sim.<br />- Vamos no Lewis’, então.<br />- São seis da manhã, Sbaile!<br />- Fica a quarenta minutos daqui. Serão quase sete quando chegarmos lá.<br />- Tá bom, então.</p>
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