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	<title>Vertente &#187; Aids</title>
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		<title>Papa x Ministro</title>
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		<pubDate>Wed, 09 May 2007 21:36:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiane</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>No mesmo dia em que o <a href="http://www.abril.com.br/papa-brasil/">Papa Bento XVI</a> pisa no Brasil e condena o aborto, o <a href="http://portal.saude.gov.br/portal/aplicacoes/busca/buscar.cfm">Ministro da Saúde</a>, José Gomes Temporão, diz que se homens engravidassem provavelmente isso já estaria aprovado. &#8220;Tem um viés machista nessa discussão. As mulheres têm que falar, ser ouvidas, e não apenas os homens. As mulheres na maioria das vezes se vêem sozinhas num momento como esse. Infelizmente, os homens não engravidam. Se engravidassem, essa questão já estaria resolvida há muito tempo&#8221;, afirmou o ministro segundo o site do <a href="http://noticias.correioweb.com.br/materias.php?id=2706647&amp;sub=Brasil">Correio Brasiliense</a>. E ele tem certa razão. Deixando de lado qualquer conotação filosófica ou religiosa e desconsiderando a culpa católica que nos impede de ser felizes em tantas coisas, filhos são maravilhosos, principalmente quando “bem gerenciados”. O fato é que nem mesmo a Aids tem impedido jovens e adultos de transar sem camisinha, apesar do número de adolescentes grávidas ter diminuído 29% de 2004 para 2005, de acordo com uma pesquisa do Ministério. <a href="http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL33820-5605,00.html">Mais de 100 mil jovens engravidam por ano só em São Paulo</a> e, em outro estudo o ministério aponta que, no Estado, “em 64,2% dos casos de maternidade em garotas de 13 a 20 anos de idade, os pais são maiores de 21 anos. Os que têm entre 21 e 30 anos representam 59,7%, e os outros 4,5% têm entre 31 e 48 anos.” Essa é a típica situação em que o homem não assume e a menina sobra em qualquer clínica vagabunda de aborto. Ou elas têm que largar a escola (30% nunca mais voltam a estudar) e se sacrificar para criar um filho com a ajuda da família. Além da crise psicológica do aborto ou do filho não planejado, existem as conseqüências do abandono. Sem falar nas tantas outras famílias que passam longe de qualquer programa de controle de natalidade e proliferam míseros seres humanos que detestamos ver nos semáforos da vida. E mesmo em se tratando das classes mais altas, somos todas iguais na fila de espera da clínica ilegal, sem saber o que foi não esterilizado, se o médico é médico mesmo e fazendo o impossível para pagar (a maioria custa mais de mil reais em espécie). Oficialmente, apenas dois mil abortos são realizados legalmente no país. Segundo estimativas da <a href="http://www.who.int">Organização Mundial da Saúde (OMS)</a> metade das gestações é indesejada e uma em cada nove mulheres recorre ao aborto. No Brasil, esse índice é estimado em 31% ou 1,44 milhões de mulheres que recorrem a clínicas clandestinas. Antes de debater o aborto, o Brasil precisaria investir em educação (óbvio), principalmente nas classes mais baixas e promover campanhas de controle de natalidade em favelas e comunidades pobres. Além de reforçar não só campanhas anti-Aids, mas o esclarecimento sobre todas as doenças sexualmente transmissíveis e, claro, gravidez. Mas, sim, o aborto há muito tempo virou questão de saúde pública. Mulheres morrem todos os anos por conta de abortos mal feitos. E até que nos tornemos uma nação realmente em desenvolvimento, é melhor que as pessoas tomem uma decisão como essa sabendo que podem, ao menos, contar com procedimentos decentes, dentro dos padrões mínimos de higiene, sentindo menos vergonha, menos medo. E mais do que legalizar ou não o aborto (ok, Papa, Jesus já me deserdou), providenciar assistência psicológica e de apoio às famílias é algo crucial nessa discussão.</p>
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