Bem, voltei a ficar filosófica este final de semana. Deixei de ir a um casamento por saber coisas a respeito do noivo que não me fazem sentir nenhum pouco orgulhosa de chamá-lo de amigo. Aliás, acho que ele não é mais meu amigo. E aí criei toda uma teoria sobre a mentira.
A mentira é o que mais aniquila a liberdade do outro. Quando mentimos, inventamos uma ilusão. E o outro, que deveria ter o direito de fazer escolhas legítimas para sua vida, simplesmente toma decisões baseadas num contexto que não existe. Decide por coisas que mais tarde vão se mostrar equivocadas. Não por culpa dele, mas por influência de alguém egoísta que o tomou para si e o manipulou como marionete. Por capricho, posse e auto-afirmação.
A verdade quase sempre dói. Mas pelo menos permite que sejamos quem queremos ser. E o mesmo vale para a pessoa com quem queremos construir algo. Se ela ficar com a gente, que seja pelo que realmente somos, com todos os erros, defeitos, mancadas, ímpetos, valores, índole, caráter… Não porque somos mimados demais para permitir que essa pessoa vá embora se não formos aquilo que ela escolher.
O mundo anda hipócrita demais para que, ainda por cima, sejamos falsos com as pessoas que nos cercam. Com as escolhas que fazemos. Enfim, que sejam felizes enquanto dure e que ela (a noiva) continue na ignorância. Desejo que ela não tenha o desprazer de se sentir idiota, humilhada, enganada, trouxa. É como a mentira faz a gente se sentir. Não queremos que ninguém faça isso conosco. E não temos o direito de fazer isso a ninguém.
P.S – Não, eles não vão saber que estou falando deles aqui.

Jornalista, trabalhando com Relações Públicas. Apaixonada por música e pela vida.





7 Comments
Oi Thiane,
Tô contigo e não abro. Também acho que todo mundo tem direito à verdade. Mas acredite, tem pessoas que seguem o verso do poeta Cazuza:
“Mentiras sinceras me interessam”
Sua amiga deve ser uma delas. Fazer o que?
beijos,
Já pensou em um mundo onde não existisse a mentira? O que nós condenáriamos nos atos humanos? Alguns não iam sobreviver. Temos a tendência de julgar,interpretar as ações dos outros com uma só cabeça, a nossa. E as vezes nos esquecemos que cada cabeça é uma sentença, ou seja, pode ser que a noiva sabe das mentiras de seu amado. Pode ser, que ela minta também. Você fez certo ao não ir ao casório e também não ir contra ao que você pensa. Mas o certo e o errado estão mais próximos do que imaginamos e muitas vezes em um relacionamento, estão misturados. Acho que a liberdade também surge nesta oscilação, não?
No mais, saudades de você Dna Thiane. sa tattoo ficou linda, quero ver ela de pertin!
Mtos beijos
Bel
Bel, concordo que algumas coisas a gente não precisa abrir 100%. Mas há mentiras que não temos o direito de dizer ao outro. Mas como disse o Nelson, tem que gente que prefere “mentiras sinceras”. Beijocas a todos
THIANE! MATANDO SAUDADES !!! COMO VOCÊ ODEIO MENTIRAS… E MESMO QUE A VERDADE DOA, PREFIRO SEMPRE ENCARÁ-LA DE SEMPRE !!! BELO ENSAIO FILOSÓFICO SOBRE MENTIRAS E VERDADES!!!
Bjs querida, mandando bem como sempre !!!
A mentira é uma merda….e sempre desnecessária…
A verdade virá à tona, mesmo que demore. Pelo menos tem sua consciencia tranquila em não participar de um circo. Feliz dia da mulher!! Beijus
Entendo o seu desabafo, porque eu penso igual e demorei muitos anos (já estou com 58 anos) e fiz muita reflexão para entender meus sentimentos a respeito desse tipo de situação, tão comum, em que somos envolvidos na mentira (leia-se na fraqueza e inconsequência) do outro.
Penso que nossa rejeição à mentira tem a ver com o desejo de viver conscientemente, de nos responsabilizarmos pelas nossas escolhas, baseadas sempre na reflexão e na avaliação das consequências dessa escolha. Somos ainda muito poucos e o fato de fazer parte de uma minoria, por muito tempo me confundiu e fez com que eu me sentisse um E.T – super exigente com o outro.
Hoje, como eu disse, depois de muita reflexão, percebo que temos que separar o que é do outro – que vc não controla e o que é seu. Vc pode ou não, conviver com esse outro, compreendendo que ele não é igual a vc, porém mantendo uma prudente e saudável distância para não ser novamente envolvido nas situações que ele cria. Veja o maravilhoso filme “Mentiras Sinceras” – Separate Lies de julian Fellowes e avalie melhor o assunto, principalmente a idéia do perdão…
Abraços
Mariza
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[...] Onde começa a liberdade do outro quando mentimos? – Vertente [...]
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