Ser rico é bom e não tenho a menor dúvida disso. O problema é ganhar dinheiro e perder a noção. Passei o Réveillon em Trancoso, na Bahia. O lugar é lindo, mas virou reduto de pessoas esnobes que sabem como ninguém confundir breguice com sofisticação.
Até onde eu entenda praia é propriedade de Deus, mas não em Trancoso, onde pra ficar em certos pedaços de areia “invadidos” por barracas chiques é preciso pagar R$150 por uma espreguiçadeira, R$500 por uma mesa com guarda-sol e quatro cadeiras, e R$750 por um bangalô. Esse custo é consumação mínima por pessoa. Claro que o povo bebe champagne na praia. Imagine a retenção de líquido dessa gente naquele calor de 40 graus!
Um garçom do Tostex me contou que já viu gastarem R$8 mil em um único dia. Bom pra ele que ganha 10% de comissão mais salário. Mas vamos combinar que é totalmente desnecessário gastar essa grana na Bahia. Pelo amor, pega um avião e vai pra St Barths, né! Armei meu guarda-sol de R$12 comprado no Extra e estendi a única canga que eu tenho desde 1999. Foi tudo de bom!
A principal festa de Ano Novo custava R$400 pra entrar. Tava lotada, claro. E não tinha nada muito diferente da festa que eu fui e custou R$25. Afinal, lá só toca música eletrônica ruim e nessa época do ano em Trancoso quem não é mineiro, é paulista. Ou seja, era pagar caro pra ver o mesmo tipo de gente que se encontra o ano todo em qualquer balada chata.
Os modelitos femininos eram os melhores. Tapete vermelho pra mulherada com suas carteiras de couro ou cetim e seus vestidos de seda, em camadas ou pontas, até os joelhos ou longos, tomara-que-caia ou frente-única, adornados com jóias e bijuterias reluzentes.
E havaianas nos pés, lógico. Afinal vestido de seda e bolsa de cetim ficam incrivelmente adequados pra a praia com um chinelinho básico. É a Alpargatas ditando os costumes high class e salvando a falta de estilo da galera.
Enfim, achei tudo muito mais legal depois do dia 04 de janeiro, quando os hippies ressurgiram e foi possível encontrar vários rastafáris e aquela gente com pinta de “guru astrológico”. Mais gringos desembarcaram usando sandálias e bermudas surradas. E os ricos que sobraram são os que têm casa na Bahia, falam bom dia na porta da padaria e levam o cachorro pra passear na praia. As festas ficaram bem mais divertidas e as lojas do Quadrado entraram em liquidação. Aí, sim, Trancoso virou um paraíso.

Jornalista, trabalhando com Relações Públicas. Apaixonada por música e pela vida.





3 Comments
Nossa, não sabia que Trancoso estava nessa vibe ruim. Eu fui lá no fim da década de 80 e foi a primeira vez que eu vi uma galera fazendo nudismo, tudo bem alternativo. Se puder Thiane, vá para Boipeba. Vc vai adorar. Bom, espero que Boipeba continue a mesma, nunca se sabe…
Bjs
Pois é Ximena, aquilo ali mudou bastante. Uma pena. E vou acatar sua sugestão sobre Boipeba. Beijos
Muito boa a descrição!
Trancoso é maravilhosoooo pena que reune apenas as pessoas esnobes, metidas, preconceituosas que só sabem falar em $$ e andar com pessoas q sejam do mesmo nível…
Uma pena! mas infelizmente é disso que o mundo esta cheio hj…gte podre! principalmente os de $$ e bem apresentáveis que te julgam pela aparência e pelas pessoas com quem vc anda
parabens pelo anúncio
Abs,
Guilherme
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