O povo reclama tanto na minha orelha que vou voltar a fazer posts sobre música, retomando a série Riot Girrrrls, com bandas femininas alternativas de diversas partes do mundo, resenhas de shows (embora eu esteja indo a poucos concertos ultimamente), velharias e coisas que eu descubro na Internet. Mas não prometo que vou conseguir escrever toda hora, ok?
Enfim, estava escutando o EP do One Day as a Lion, projeto novo do Zack de la Rocha com Jon Theodore, ex-baterista do Mars Volta. O nome vem de uma fotografia tirada em 1970 por George Rodriguez de um muro em Boyle Heights, Los Angeles, com a frase “It’s better to live one day as a lion, than a thousand years as a lamb” (melhor viver um dia como um leão do que mil anos como um cordeiro).
Theodore é um excelente baterista, Zack continua incrivelmente engajado, mas sou meio contra projetos solo. Eles sempre carregam bases das bandas de origem e, na maioria das vezes, acabam virando versões pioradas do mesmo.
E One Day é uma versão piorada de Rage Against the Machine. No lugar da guitarra e do baixo, Zack tira distorções do teclado, o que pode parecer brilhante na primeira faixa, mas se torna repetitivo ao longo do álbum. Sua voz e a pegada meio rap também fazem com que a comparação com o Rage seja inevitável, assim como as letras, bem menos surpreendentes.
Numa entrevista ao Los Angeles Times ele mesmo reconhece que One Day precisa de melhorias. “Não, esta não é uma explosão de energia apenas. Vamos gravar discos, escrever músicas. Estamos no processo de formar a banda. Precisamos de um tecladista. Não sou bom o bastante para fazer tudo sozinho. Portanto, vamos nos reformular em breve”.
Da mesma forma como sempre achei que o Audioslave subestimava o talento de Tom Morello, Tim Commerford e Brad Wilk, One Day não reflete a genialidade de Zack e não empolga quem espera por inovações. Ele foi bem mais criativo quando criou March of Death, com DJ Shadow, e encarnou raízes do bom e velho hip hop, juntando-se ainda a Chuck D e The Roots para gravar “Mumia 911“. Se contarmos ainda a antiga parceria com KRS One, tudo isso parece ter saído muito mais do âmago. “Quando deixei o Rage estava de coração partido e fiquei obcecado por reinventar a minha roda por completo”, ele disse ao LA Times. Então talvez ele esteja outra vez precisando de algumas doses de depressão.
Depois de ter visto o Rage ao vivo em Berlim, em junho deste ano, fica difícil não desejar que eles gravem um novo álbum. O entrosamento no palco, o som perfeito, os solos improvisados e hipnotizadores, a força das melodias, o ritmo das letras, os pulos e tombos do Zack. Não dá pra aceitar que isso tudo continue secundário na vida deles. “Muita coisa mudou. Quando você fica mais velho, olha para o passado e tem outra perspectiva sobre os problemas. Nossa relação está melhor do que nunca (…) Vamos continuar fazendo shows (…) Mas quanto a gravar música no futuro, não sei o que todos pensam disso”, contou ele na entrevista. Que pena.
Deixo aqui uma mostra de One Day as a Lion pra vocês: 05-one-day-as-a-lion


Jornalista, trabalhando com Relações Públicas. Apaixonada por música e pela vida.





5 Comments
Mais uma p/ coro: volta a escrever sobre música, volta
People should read this.
Opiniões cada um com a sua …
Mas apesar de parecer BEM uma mistura jogada no liquidi de Mars Volta + Rage eu curtí pra caramba.
Achei esse “projeto paralelo” mil vezes melhor que o do Batera do Strokes + Amarante do Los Hermanos – que foi uma péssima combinação HYPE p/ atrair fanzudos-loucos-chatos dos los hermanos! #prontofalei
C NÃO SABE PORRA NENHUMA DE MÚSICA!!
VAI ESCREVER SOBRE MODA!!
Não é perfeito, não é rage, não é mars volta, mas difícil não se empolgar com a música Last Letter deste EP. Torço e estou ansioso para mais sons destes grandes artistas.