Uma coisa tem realmente me irritado: eles odeiam cartao de credito e varias lojas e restaurantes nao aceitam. Ou seja, to sempre contando trocado pra ver se o dinheiro que eu trouxe vai durar ateh o final. Por essa eu nao esperava!
Outra coisa eh um pouco desagradavel: sempre que a Turquia joga uma boa parte dos alemaes torce contra. Acontece que aqui isso nao eh uma briguinha tipo corinthiano versus sao paulino, e somos todos brasileiros. Essa eh uma briga entre duas culturas que precisam conviver e se aceitar. Bem complicado…
Caes. Eu simplesmente adoro como cachorros aqui sao educados, apesar da sujeira que deixam pelas ruas (e que os donos nao recolhem). Estava eu outro dia numa tratoria “almojantando” e eis que entra um casal com dois (!) labradores, senta na mesa ao lado e janta em companhia canina. Os cachorros nao pulam, nao pedem comida, nao importunam as outras pessoas, nao latem e nao saem do lugar. No minino adestrador aqui deve ganhar uma grana! No metro, alias, eles sao super sossegados. Amei.
Minha jornada neste final de semana teve mais a ver com holocausto e regime sovietico. Visitei a Gedenkstatte, uma prisao da Stasi que ainda mantem celas, moveis e acessorios da epoca em que a Uniao Sovietica dominou Berlim oriental.
O que vale mesmo eh a tour de duas horas em que o guia conta varias curiosidades sobre a barbarie cometida pelos comunistas. Inclusive como eles usavam a desculpa de que as prisoes e as torturas precisavam existir porque os presos eram nazistas, quando na verdade eles mantinham ali todo tipo de pessoa que arriscasse ir contra suas politicas.
Apos os anos 60, preocupados com sua imagem internacional, os comandantes da Stasi trocaram a forca fisica pela tortura psicologica. Eles muitas vezes proibiam os presos de sentar na cama durante o dia e os isolavam completamente, sem que pudessem falar com ninguem, nem com os soldados. O silencio, em boa parte do tempo, soh era quebrado com interrogatorios. Caminhar no quarteirao da prisao tambem eh uma aula de historia, jah que varios dos predios ali desativados perteceram a Stasi, servindo como laboratorio quimico, refeitorio, dormitorio de soldados, etc.
Fui tambem a Sachsenhausen, um campo de concentracao que foi usado tanto pelos nazistas quanto pelos comunistas. Nunca tinha ido a um desses campos antes e fiquei impressionada. O audio guide traz depoimentos reais de ex-prisoneiros. Ou seja, em cada cela voce escuta alguem contando algo horrivel.
As partes do campo que mais me impressionaram foram os dormitorios, onde vi aquelas beliches medonhas que sempre aparecem em filmes de holocausto, a trincheira onde judeus e outros prisioneiros eram executados a sangue frio e a camara de gas.
O crematorio tambem eh bem bizarro e ha varios tumulos espalhados pelo campo, inclusive em alguns deles soh estao as cinzas humanas que ficaram espalhadas por ali durante anos. Entender as diferencas de como o mesmo lugar foi usado de formas absurdas pelos dois regimes politicos foi interessante e incrivelmente deprimente. A Alemanha viveu tempo demais sob terror e sofreu demais com atraso economico e social por conta disso.
Mas descobri o lugar mais legal de Berlim: Friedrichshain. Eh onde ficam todas as pessoas mais “cool”, os restaurantes, bares e (pasmem!) roupas mais sensacionais. Conheci o Ralph, vendedor de uma loja de pecas “vintage” que mudou de Hamburgo pra Berlim ha tres anos e com ele fui ateh o Raw, um squat gigante, onde estah a rampa de skate e onde rolam festa muito legais, principalmente no Cassiopeia, um espaco pra eventos e shows dentro do Raw.
Tava morta e nao aguentei esperar a rave que iria acontecer ali depois da meia-noite, mas adorei ver a galera, prestar atencao nos looks, reparar que a moda aqui sao franjas coloridas e minissaia por cima do jeans com sapatilha de bico fino, alem de um monte de outras coisas bacanerrimas. Friedrichshain foi o “must” do meu final de semana.




Jornalista, trabalhando com Relações Públicas. Apaixonada por música e pela vida.





3 Comments
vai ter Portugal e Alemanha quinta-feira se vc ainda estiver ai conta como é a reação deles e eu te conto como vai ser a reação dos portugueses aqui…vamos ver quem no final das contas é mais apaixonado…
teu diário de viagem está de arrepiar. Quisera. Conheço ao menos um pedacinho da Alemanha. Aproveite.
Vivas ao Friedrischschain! É assim que se escreve????? …. Sei que Freund em Deutsch é amigo …. Tô amando a viagem, não deixe de contar mais !!!!