Nem dormi direito de ansiedade. A pessoa aqui comprou, em Sao Paulo ainda, ingressos para ver RATM em Berlim. Com a Receita Federal em greve eu ateh fiz promessa pro ingresso chegar em tempo. To cumprindo… Bem, fui com umas meninas da Bavaria que conheci no hostel teh o mercado turco de Maybachufer. Eh pequeno, bem cheio de bujigangas e bom pra comprar frutas e queijos.
Depois fui visitar a igreja Kaiser-Wilhelm que ainda exibe os estragos feitos pelos bombardeios da Segunda Guerra. A igreja eh bem sem graca, mas vale ver a cupula destrocada. Eh historia! De lah entrei no KaDeWe, que eu prefiro chamar de “primo pobre” da Harrods. Nao sei, talvez eu esteja num mal momento pra isso, mas nao consigo curtir nenhuma das roupas que eu vejo aqui.
Ai peguei o metro ateh Spandau, onde fica a Zitadelle. Eh um dos mais antigos fortes medievais ainda em peh no mundo e data de 1594. Obviamente, sai da estacao sem ter nocao de onde ficava esse lugar e, por sorte, uma trupe de adolescentes suecos que tambem iam pro show me ajudaram a encontrar.
Cheguei as 2h30 e o show tava marcado pra comecar as 7h. Tava crente que o museu era enorme, que ia conseguir comer e depois ver o show. Vixe! O museu eh todo em alemao e minusculo. Ok, saquei que tinham umas coisas da epoca da Prussia e mais uns apetrechos de uso domestico e militar muito antigos. Mas, po, nem uma palavra em ingles foi de doer. De qq forma o lugar eh bonito, cheio de oficinas de arte e pude ver o palco do RATM sendo montado, alem de toda movimentacao das equipes organizando o show.
Sentei no cafe. E o moco me diz: “desculpe, mas fechamos porque precisamos nos preparar pro show”: Pensei “jah era, vou passar fome” (meu cafe tinha sido um croissant e um suco de laranja no hostel). Sai e fui sentar com os suecos encostada na catraca por onde entrariamos no lugar no show. Detalhe, eles tinham chegado da Suecia naquela tarde e iam voltar pra casa depois do show… Bem, horas depois eu estava faminta. Um dos meninos tinha trazido o que deveria ser um wrap de cole slaw, mas era na verdade massa com maionese. Sim, o troco tinha viajado da Suecia num pote de sorvete Kibon e foi o que me salvou!
As 5h10 abriram as catracas eu corri pelo menos 1km ateh o pit! Yesssssss ganhei a pulseira e peguei meu lugar na grade. Ferrou, deu vontade de ir no banheiro e sede. Bebi a agua que um dos meninos comprou pra mim e simplesmente abstrai o xixi que ficou guardado ateh a 1h da manha. Nao ia sair dali nem por um milhao de euros.
O Anti-Flag entrou as 8h e foi ridiculo. Eu adorava essa banda nos quatro primeiros discos, mas como todo roqueiro que sai do armario fica chaterrimo, o mesmo aconteceu com eles depois que o Justin Sane (vocalista) decidiu que eh gay. Eles conseguiram tocar todas as musicas que eu sempre fiz questao de pular. Mas valeu. Era, afinal, o primeiro dia da visita da George W. Bush a Europa e nada melhor do que um show politicamente engajado.
Mas ai o Anti-Flag disse “thank you” e os rodies comecaram a arrumar o palco do Rage! Cara, serio, quando a estrela comecou a subir e eu vi o lindinho do Zack de la Rocha (que soh nao eh meu marido e pai dos meus filhos porque nao me conhece) comecei a chorar de novo hahahaha. Eles abriram com Testify e o show foi uma paulada soh ateh o fim. Vi ateh o cabelo do peito do Tom Morello, o Timmy eh um gostoso (se me permitem), mas nada supera o Zackarias. Ele pula tanto e eh tao verdadeiro que rolou de tropecar duas vezes e cair de boca no palco.
Ver o entrosamento da banda e ele rindo pro Tom Morello feliz com a vibe da galera foi animal. Quando todo mundo achava que tinha acabado com Killing in the Name, eles voltaram pra mais um bis improvisado com Tire Me e Sleep Now in the Fire War Within a Breath, discutindo o setlist ali na hora. Sensacional!!!!!!
Precisei gritar lindo todas as vezes que o Zackarias ajoelhou na minha frente. E ele canta como se estivesse conversando com a plateia. No final, ele desceu do palco e deu a mao pra nos! Ahhhhhh… Me senti uma adolescente feliz da vida. Foi um dos shows mais energicos, energeticos e brutais que eu jah vi.
Terminei imunda, a galera pogava e a poeira levantava num nivel que todo mundo saiu de lah marrom. Detalhe, o lugar so tem espaco pra 10 mil pessoas. Ou seja, mais intimista impossivel. E ainda teve um open bar na hora da saida.
Ok, comi uma batata assada ali mesmo no Zitadelle e peguei o metro de volta pro hostel cantando “People of the Sun” e pensando que eu devia virar “stalker” e ir atras do Zack (que jah eh paranoico e toma remedio, segundo rezam os boatos de bastidor). Sim, finalmente fui no banheiro porque a coitadinha da bexiga foi minha amiga, mas nao perdoou. O coturno tah lah, sujo de poeira. O ingresso volta comigo pra minha colecao. E o coracao bateu forte a noite toda.




Jornalista, trabalhando com Relações Públicas. Apaixonada por música e pela vida.





5 Comments
invejinha de vc
aproveita bem aí, as fotos estão o máximo!
bjs
Thiane Querida !!!! Quanta saudade, tô viajando com você até agora … Já estive na Alemanha, mas não em Berlim ….Não sou, nem nunca fui, roqueira de estirpe como você, mas adorei seus relatos sobre o show, seu tour histórico, e suas impressões sobre o povo alemão, aliás identicas as minhas …
A língua é uma desgraça mesmo, sou muito familiarizada com a cultura alemã, por ser do Sul, e juro que tentei aprender alemão, mas é osso duro de roer… Amei sua viagem, e como vaca fiquei meio branca de inveja.., Mas sossega, das amigas só sinto inveja branca mesmo ….Beijos querida, aproveita e manda notícias ….
belo relato, bela viagem e bela trilha sonora…inspiradora até tanto o país quanto a banda…
saudações a ti…e saudades também…
Oi queridos, brigada pelos comentarios. Sim, eu sei que a inveja eh sempre branca hahahha Que bom!!! To amando! Beijos a todos
Caraca… show do Rage Against The Machine… fiquei sem palavras…
Ainda bem que inveja não mata!!!
rsrsrs
Abraços!
One Trackback
[...] de ter visto o Rage ao vivo em Berlim, em junho deste ano, fica difícil não desejar que eles gravem um novo álbum. O entrosamento no [...]