Lilith: uma homenagem ao direito das mulheres de enlouquecer

Quem já ouviu falar em Lilith acha que ela é apenas a lenda do demônio da noite que espalha doenças e morte. Mas ela pode ser considerada o primeiro grande símbolo feminista de que se tem registro. Segundo textos hebraicos, Deus criou Adão masculino e feminino, cortou-o ao meio e dessa metade nasceu Lilith. E como os homens torram a paciência das mulheres desde o Jardim do Éden, Lilith teve uns probleminhas e não deixou barato.

Alguns escritos contam que Lilith foi oferecida a Adão em casamento e, ofendida por ter de se submeter ao rapaz, preferiu compactuar com o Diabo. Mas a história que eu mais gosto de contar é que, sim, Lilith foi a primeira esposa de Adão. Cansada de se sentir menosprezada e inferior, passou a contestar o marido.

Além disso, de acordo com o Talmud e o Alfabeto de Ben Sirá, ela não queria mais ter que ficar sempre por baixo na hora do sexo, suportando o peso do bonitão. E vendo que Adão jamais lhe respeitaria em igualdade, se revoltou, profanou o nome de Deus e foi embora do Éden. Assim ela foi parar na escuridão. Triste por ter sido abandonado, Adão reclamou com o Todo Poderoso, que resolveu criar a Eva de acordo com todos os padrões da sociedade patriarcal.

Portanto, fico do lado de quem elege Lilith um ícone da força feminina no mundo moderno. Ela é uma ode ao direito das mulheres de enlouquecer, berrar, espernear e sair andando todas as vezes que precisarem reivindicar o amor e o respeito que realmente merecem. Quem nunca teve um namorado/marido-empiastro que atire a primeira pedra.

Mas não, nós não vamos mudar a raça humana, especialmente os seres do sexo masculino. Acreditem, já virei demônio e não valeu a pena. Tudo bem que o cara aprendeu umas boas lições comigo, mas continua cafajeste.

Se Lilith tivesse só ido embora do Paraíso sem fazer escândalo, talvez ela tivesse tido a honra de biblicamente conceder às mulheres as virtudes que Eva fez o favor de nos tirar ao meter a boca na maçã, além de nos livrar de séculos de submissão e migalha. Então, viremos as costas como Lilith, sempre tentando manter a elegância. Agora, se não der, façamos mesmo um barraco que tem muito cara que merece e é bem libertador.

One Comment

  1. Posted maio 19, 2008 at 7:29 pm | Permalink

    Adorei o post!

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