Perspectiva: a proporção correta da vida

Colocar as coisas em perspectiva é sempre bom. De acordo com o site World Population, existem hoje, 15 de novembro de 2007, cerca de 6.761.693 pessoas no mundo. Talvez o Ronaldo ou a Angelina Jolie sejam reconhecidos por 95% da população mundial. Ainda assim, nem eles conseguem ser relevantes para toda essa gente. Então, vamos fazer umas contas, meio esdrúxulas, só para seguir um raciocínio. Quantos conhecidos você tem? Digamos que você seja popular. Ainda que milhões de pessoas já tenham ouvido falar de você, isso não significa que você as conheça (saiba o nome, de onde é, como chegou até você, etc.). Portanto, vamos considerar aqui que você tenha uns cinco mil conhecidos. Isso significa que você APENAS conhece 0,07% dos seres humanos que existem. Desses cinco mil, quantas são pessoas das quais você gosta e convidaria para o seu aniversário, por exemplo? Talvez mil? Isso quer dizer que você se relaciona com SOMENTE 0,01% dos seres humanos que existem. Desses mil, quantos são seus amigos? Amigos de frequentar a sua casa? Cem? Você, então, se importa SÓ com 0,001% dos seres humanos que existem. Desses cem, para quantos você telefona para pedir ajuda num momento difícil? Dez? Isso quer dizer que a sua casa pode viver cheia de gente, mas na hora H você TÃO SOMENTE pode contar com menos de 0,0001% dos seres humanos que existem. E dessas dez, quantas realmente parariam tudo para lhe ajudar de verdade? Duas? Então, VOCÊ IMPORTA MESMO para menos do que 0,000001% dos seres humanos que existem. Portanto, deixo duas vertentes da perspectiva:
1) Nem tudo o que você é ou faz é tão sensacional, crucial ou supra-sumo quanto você pensa. Isso é extremamente importante de ser lembrado sempre que você achar que pode julgar, esnobar ou zombar alguém. Isso é extremamente importante de ser relembrado sempre que você achar que pode desdenhar alguém. E sempre que o poder lhe subir à cabeça ou que o seu ego lhe fizer acreditar que você e/ou as coisas que você possui são mais importantes do que alguém. Infelizmente, mais ou menos 6.761.690 pessoas vivem sem você. Pior: aproximadamente 6.755.580 pessoas nem lhe conhecem. E é bem provável que elas nem saibam que você existe.
2) Nem tudo o que acontece (ou não) e nem tudo o que fazem para/com você é tão grave assim. Sabe aquele amor da sua vida que lhe abandonou? Então, 6.761.691 pessoas vivem sem ele. Sabe aquele amigo que mega lhe decepcionou? De novo, 6.761.691 pessoas vivem sem ele. Melhor: existem 6.761.691 possibilidades de você conhecer alguém mais legal. Sabe o emprego que um dia você perdeu? Pelo menos 6.761.600 pessoas têm mais o que fazer. O corpo perfeito que você não tem? Talvez 6.000.000 de pessoas se olhem no espelho e também queiram mudar alguma coisa. Mas provavelmente 6.761.690 são felizes apesar disso. O carro, a casa, o dinheiro, o terno Armani, o vestido Dior, o glamour, as festas? Com certeza, mais ou menos 6.761.685 pessoas devem sonhar com isso e também não têm (nem nunca terão). E por aí vai.
Moral da história? A única coisa que realmente importa na sua vida é você. A única pessoa que realmente importa para você, é você. E a única pessoa que realmente se importa com você, é você. A importância que as coisas e as outras pessoas têm na sua vida, quem determina é você. A gravidade das coisas que acontecem na sua vida, quem determina é você. Você pode viver cego e envolto em seu próprio narcisismo. Ou cego e afogado na sua própria dor. OU… sacar que você é o capitão do seu navio, colocar um sorriso no rosto e seguir sempre adiante com a melhor das intenções possíveis para com você e os outros. Certamente você aportará em algum lugar bacana. E feliz.

19 Comments

  1. Nelson
    Posted November 16, 2007 at 3:56 am | Permalink

    Thiane, foi a melhor coisa que li nos últimos dias. Mas do que o texto, foi o astral que sinto junto com ele. Muito bom! Valeu!
    Bjs,

  2. Thiane
    Posted November 16, 2007 at 4:25 am | Permalink

    Poxa, superobrigada de verdade. Principalmente pelo astral. Teve mesmo uma boa intenção. Beijos

  3. Paola a Estranha
    Posted November 16, 2007 at 2:12 pm | Permalink

    Moça bunita, isso que acabei de ler foi tão bom!
    Quem determina a importância das coisas somos nós!
    Adorei viu!
    Muitos beijos

  4. Lucia Freitas
    Posted November 16, 2007 at 2:54 pm | Permalink

    Moça linda do meu coraçào… lindo texto. lindo, lindo, lindo. Do meio da gripe, estuporada, agradeço.
    bj

  5. Thiane
    Posted November 16, 2007 at 5:02 pm | Permalink

    Oi Lu, que saudade! Vê se fica boa logo pra gente se ver! Paola, adoro que vc me chama de bonita pra todo lado hahahaahh Brigada por me visitarem e deixarem elogios tão gostosos. Bjs

  6. Diego Zanelato
    Posted November 17, 2007 at 5:28 pm | Permalink

    Bravo Thiane!(de pé)

    Beijos!

  7. Gabriel (Sir DoRêgo)
    Posted November 18, 2007 at 12:45 pm | Permalink

    muito boa a conta,mas como sempre tudo são contas …e contas as vezes são mais frias do que muitas das relações modernas,e acho que ainda tenho pessoas importantes com as quais eu me importo…
    saudações sempre

  8. Beth
    Posted November 19, 2007 at 1:35 am | Permalink

    Hehehehehehe
    Por isso que me amo tanto.
    Hehehehehehe
    Belissimo post querida !!!

    Beijos saudosos

  9. Thiane
    Posted November 19, 2007 at 2:08 am | Permalink

    Oi Diego, brigada! Que bom que vc passou por aqui. Sir, contas são sempre mto frias. Mas independentemente das pessoas com as quais nos importamos, mtas vezes ficamos presos àquelas que devemos deixar ir embora simplesmente pq acabamos dando a elas uma importância exacerbada. De repente lembrar a extensão do mundo ajuda. Beth, continue se amando sempre. A gente precisa mesmo se amar. Beijos a todos

  10. Perolas Políticas
    Posted November 20, 2007 at 3:15 pm | Permalink

    Topas uma troca de link com o http://www.perolaspoliticas.com ?

  11. rafael
    Posted November 21, 2007 at 2:31 am | Permalink

    Adorei!!
    mas vou pedir licença e deixar uma frasesinha pessimista:
    “existem 6.761.692 pessoas que podem atrapalhar você na condução do navio…” rsss. (não sou sempre assim, é só uma fase)

    bjus

  12. DM
    Posted November 22, 2007 at 4:29 pm | Permalink

    PUTZ… THIANE QUE POST ADORÁVEL E SUPER VERDADEIRO, AYWAY DE ONDE TIROU TANTOS DADOS ESTATÍSTICOS !!!

    NÃO ACREDITO PIAMEENTE EM PESQUISAS E ESTATÍSTICAS, HÁ SEMPRE DISTORÇÕES, MAS PARA O CASO,
    TO COM VOCÊ, DEVEMOS SER IMPORTANTES, PARA NÓS MESMOS, E SEMPRE ELEVARMOS ESSA CONDIÇÃO!!!

    BEIJOS

  13. Georgia Reeve
    Posted November 23, 2007 at 12:59 pm | Permalink

    Bom dia, Thiane! Gostei muito do texto e do seu blog, no geral. Valeu pela minha manhã de “leitura bloguística”! ;)

  14. Thiane
    Posted November 23, 2007 at 5:38 pm | Permalink

    dm, essas contas são minhas. O único número oficial é o total da população. Por isso as contas não são mesmo confiáveis, apenas hipotéticas. Georgia, que bom que gostou e espero que me visite sempre. Bjs

  15. tina oiticica harris
    Posted November 30, 2007 at 5:36 am | Permalink

    Me amarrei no seu texto. Curto muito ler estatísticas. Seus cálculos levam a uma conclusão muito positiva. Vou guardar o texto na memória para me desligar de probleminhas inúteis e pessoas idem. Gênio!.

  16. Ana Paula
    Posted December 2, 2007 at 10:47 pm | Permalink

    Thiane, nossa, nunca havia pensado nisso!

    Beijos!

  17. Beth
    Posted December 3, 2007 at 7:26 pm | Permalink

    Ahhhhhhhhh
    Indiquei você para mais um meme e um selinho que é a tua cara!! ……..
    beijos amore e aguardando o próximo post.

    beijão

  18. Posted May 19, 2008 at 9:19 pm | Permalink

    Muito bom seu texto. E chegou na hora certa.

  19. Posted May 21, 2008 at 12:49 pm | Permalink

    Thiane,
    Muito bom este texto! Parabéns por proporcionar estes momentos de reflexão… Parabéns por Vertente! uno bacio! =)

One Trackback

  1. By Vertente » Burrice coletiva é um saco on November 22, 2009 at 10:39 pm

    [...] vez escrevi sobre perspectiva e proporção. Existem mais de 6 bilhões de pessoas. Pense em quantas vivem sem fazer idéia da existência de [...]

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