Sabe, eu toda hora ouço essa frase. Vira e mexe alguém diz que as pessoas perderam a noção, onde o mundo vai parar, o egoísmo anda exacerbado, etc. Isso me lembra quando eu era criança e os mais velhos tinham essa visão do mundo. Hoje me sinto um deles. Eu realmente não entendo muito bem as pessoas. E as pessoas definitivamente me entendem muito pouco também. Mas entendo que, quanto mais envelhecemos e amadurecemos, mais duros e impenetráveis ficamos. Acho que o mais difícil pra mim, hoje, é encarar a responsabilidade sobre a minha própria vida. Durante 31 anos dei aos outros o poder de me fazer feliz ou triste, bonita ou feia, inteligente ou burra, brega ou descolada. Hoje eu entendo que tudo na minha vida é consequência do meu próprio ser. É pesado. Às vezes cansa. Naqueles momentos em que o universo me cobra resiliência eu penso: “Mas ninguém vai passar a mão na MINHA cabeça?” Não, não vai. Ao mesmo tempo, saber que SÓ EU tenho as rédeas das coisas é muito bom. É uma sensação de estabilidade e segurança que nenhum outro ser humano pode nos proporcionar. Mas talvez aí a gente esteja errando a mão e confundindo essa constante busca por individualismo com egoísmo. Será? Será que isso nos dá uma noção errada de poder, de narcisismo, e aí a gente fica obssessivamente tentando manter o controle sobre todas as coisas quando também há um montão de coisas no mundo que gente simplesmente não tem poder pra mudar? Não sei. Queria ter várias respostas. Fuçando na bagunça dos meus livros encontrei “Amor Líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos“. Ele fala do quanto estamos tratando nossas relações como se fossem bens de consumo, com necessidades imediatistas construídas sobre inseguranças e medos. Pode ser que as mudanças do mundo globalizado e moderno estejam mesmo interferindo em nossa maneira de interagir. Ao mesmo tempo em que temos pavor de vivenciar o amor por alguém, e a perda dessa tal liberdade que mal conseguimos definir ou entender, nunca houve tanta necessidade por se relacionar. Daí, então, o sucesso das comunidades online? Que nos dão, de certa forma, poder de controlar nossas interações com cliques? Esta semana decidi comprar “Vital Friends: The People You Can’t Afford to Live Without“. Ele basicamente faz com que você divida seus amigos em oito categorias para enteder qual é o real valor agregado das suas relações, principalmente em ambiente de trabalho. Seus amigos podem estar (em tradução livre) entre: motivadores (builders), companheiros (companions), influentes (connectors), colaboradores (collaborators), pra cima (energizers), expansores (mind openers), orientadores (navigators) e vitoriosos (champions). Não, não acho que a gente tenha que inventar fórmulas pros amigos. Mas até por uma questão de auto-preservação, fazer esse exercício de compreender o que é que nos conecta a determinadas pessoas pode nos ajudar a lidar melhor com os laços que nos esforçamos pra manter todos os dias. A busca por respostas é incessante. Sei lá, andei trocando a palavra medo pela palavra receio. Acredito que receios são mais fáceis de vencer do que medos. E tô arriscando. Metendo as caras. De alguma forma creio que o universo vai entender a minha mensagem. E você? O que você anda fazendo?
P.S – O Blog da Mélica é uma dica pra quem busca um pouco de otimismo.
Jornalista, trabalhando com Relações Públicas. Apaixonada por música e pela vida.






11 Comments
Adorei o que você escreveu,mas jamais dividiria meus amigos em categorias,quem sabe isso é o coração,não?
Amor Liquído fala tudo,esse livro é interessante,tenho pensado muito tb em como somos egoístas de não querer ficar sozinhos,entede? Então as relações cada vez vem para abafar uma insegurança,e o quanto tudo isso pode ser doentil e distante do amor,assusta até!
Também me vejo pensando sobre quem acolherá meus medos…essa ficha meio que caiu qdo meu pai se foi.É duro,mais completamente importante.Tem uma canção do gil que eu pago um pau que diz assim:…”e quando escutar um samba canção, como eu preciso aprender a ser só, reagir e ouvir o coração dizer,eu preciso aprender a só ser”…Não é lindo?!
Ui,mas entrei aqui no intuito de um convite; dia 16 tem jogão no nosso pacaembu,vamô que vamô!?
vai ser bom te ver,irmos aos jogos juntas!
Um beijão querida
A gente vai se ver antes disso. E lógico que eu não posso perder Timão dia 16. De volta ao estádio!! Beijos
Boa reflexão Thiane. Eu não acho que o mundo esteja louco, mas tenho certeza que estamos no meio de um processo de transformação. Por isso essa bagunça toda. Espero que essa metamorfose seja para melhor, mas nem sei se chegarei a testemunhar isso. Não que eu pense viver pouco, pelo contrário. Mas as transformações demoram para se solidificar.
Com relação a administração de nossa vida, não encontro melhor metáfora do que a utilizada por Milan Kundera. Segundo ele vivemos entre a peso e a leveza. E mesmo buscando a leveza, ainda sim a vida se torna pesada. Por isso “A insustentável leveza do Ser”. Excelente leitura, que reflete como somos complicados, hehehe.
bjus
Pois é Thiane, diante da roda da vida, desse mundo louco, da necessidade que temos de nos manter na busca do vil metal, as relações pareçem as vezes ficar superficiais, cabe a nós um exercício diário de reflexão, para que nossas relações não pereçam ou se deteriorem diante da complexidade da vida e da sempre loucura do dias de hoje !!!
Adorei seu texto … Fazia tempo que não te visitava , Sobre o livro Amor líquido, diz o autor para mim … Lá no Blog das Vacas!!!
Beijos
Eu gostei do que você escreveu, gostei inclusive dos “rótulos” para os amigos…
Bom, mas eu tenho bem poucos, sempre fui muito individualista, coisa que como você disse nem sempre faz bem, mas na verdade, me acostumei com o meu “egoísmo” e vejo mais como liberdade. Estou assim porque quero e porque me convém, entende?!
Acho que a vida é feita de fases: boas, ruins, alegres, tristes, chatas… Uma hora a gente fica plenamente bem, pode demorar mas acontece sim!
Muito bom, linkei o blog ok?!
Beijocas
Oi, querida! Acho que faço a minha parte educando meu filho da melhor maneira possível, para que ele seja um adulto do bem, de caráter, um cidadão consciente… E crie seus filhos assim. É só um grãozinho, mas se todos fizerem sua parte…
Thiane, o Becher me convidou para um meme sobre gírias… Então, convido agora você… Dá uma olhadinha lá no blog. Beijos e bom domingo!
muito legal…muito legal..ler tudo isso…reflexões são diariamente necessárias…para como você mesma escreveu nossos medos se transformarem em receios. Só posso dizer que foi interessante ler o que li agora…portanto acompanho-a, como muitos, no escrito, nas ideias, nos medos e nos receios…muito legal isso.
Que bom, Thiane, depois passo para ler o resultado! Beijos e bo semana!
Detesto rótulos, mas concordo que o que nos liga a algumas pessoas são caracteristicas bem definidas… e se não fosse por elas nem olhariamos para essas pessoas…
Eu procuro ser dono do meu destino, nunca tive essa sensação de alguém passar a mão na minha cabeça…
Meu pai morreu cedo e minha mãe trabalhava, e apesar de todo o esforço dela, algumas coisas eu aprendi sozinho mesmo…
Adoro o blog da Mélica,,,
Um beijo e ótima semana
Legal seu post e muitíssimo obrigada por me linkar! Me sentir super honrada!!!:) Amei, amei, amei!!!;)
Bom, aos poucos vou aparecendo mais, pois como estou viajando está sendo difícil para visitar os amigos blogueiros, mas assim que tiver tempinho voltarei a visitar teu blog, mesmo viajando.. ok?:)
Um beijo e um ótimo dia!
Gostei muito da reflexão e dos comentários postados, “Amor Líquido” tenho que ler!!
Já faz algum tempo li “Narcisismo” do Alexander Lower, me fez avaliar o meu grau de narcisismo e refletir muito sobre mim, o que me motiva e o que motiva os outros, neste livro o Lower fala da dificuldade dos narcisistas de demostrar os sentimentos e o louco efeito que isso trás ao mundo hoje.