O misterioso amor dos homens pelo futebol


A colorada autora do blog Somos Todas Umas Vacas (que encontrei recentemente nas minhas andanças pelo MyBloLog) compartilha de sentimentos futebolísticos muito parecidos com os desta corintiana que vos escreve. Assim como ela, também me deixei contagiar pela “euforia bovina masculina” e vou ao estádio sempre que possível, falo mais palavrão que o tiozinho com o radinho de pilha na orelha e não me incomodo de ver todas as mesas-redondas de domingo (sério, tenho até testemunhas a meu favor). Detesto futebol feminino (e assumo todo meu machismo) e também tenho meus times favoritos fora do Brasil (Valencia, Arsenal, Inter de Milão e TSV 1860 Munchen – este em homenagem a um alemão engraçadíssimo que conheci aqui em São Paulo). Ainda assim, por mais que “vacas agora dividam com bovinos de igual para igual, mas de um jeito femininamente peculiar todo o tipo de emoções proporcionadas pelo esporte bretão”, acho que a relação dos homens com o futebol nunca estará 100% disponível para a compreensão feminina. Porque a gente curte. Mas não dá pra ir ao estádio, ouvir o rádio no caminho de volta pra casa, ver o VT, assistir aos melhores momentos, acompanhar as mesas-redondas, ouvir o rádio na segunda de manhã e ainda ler o caderno de Esporte no trabalho. Isso sem contar as piadas que não duram só o dia da vitória, duram décadas. E não basta encontrar pra xingar, tem que mandar torpedo, messenger, telefonar no meio daquele jantar de família ou berrar pela janela do apartamento pro palmeirense do prédio da frente. Eu tenho um amigo que simplesmente proibi de ver jogo em casa. Não me arrisco mais a pagar multa pelo escândalo que ele costuma fazer na varanda! Ah, a enciclopédica maneira de ser! Aquele jogo de 1918? Então, eles sabem até quem era reserva. Muito irritante! Fora a falta de criatividade na hora de se cumprimentar. Não dá pra simplesmente dizer “Oi, tudo bem, e aí?” É o tradicional: “Teu time é uma vergonha, chupa aquele 4 x 1, vai pintar o Morumbi de rosinha?” Se você for esperta, quando casar tenha uma poupança pra todas as operações de joelho que seu marido fará ao longo da vida, porque futebol também é uma espécie de autoflagelo semanal. Também tenha muita amizade com o moço da farmácia mais próxima, porque é você que vai agüentar todas as lamúrias das dores musculares desse único dia em que ele resolve compensar o sedentarismo crônico. Se ele não tatuar o símbolo do time, já se dê por muito satisfeita. E agradeça muito aos céus se ele não for freaky, desses que só assistem ao jogo com a camisa ao contrário, ou com aquele shortinho estilo Sócrates, ou beijando santinho, ou que não deixam você respirar porque é a SUA respiração que ultrapassa a televisão e faz o time errar o gol. É isso. A gente nunca vai entender esse amor enlouquecido. Nunca vai poder competir com o brasão, esteja ele do lado direito, esquerdo ou no meio daquela camisa puída que a faxineira xinga quando tem que lavar. Mas ok. Porque eles não entendem um milhão de outras coisas nossas. E ainda bem!!!

4 Comments

  1. AP
    Posted April 23, 2007 at 10:54 pm | Permalink

    Oi, Thiane, tudo bom? Adorei seu blog e seu texto sobre futebol… Posso botar um link seu lá no blog também? Ou, pelo menos tentar, já que eu não entendo nada de blogs, além de escrever e postar… Beijo!

  2. Anonymous
    Posted April 24, 2007 at 1:29 pm | Permalink

    Olha, Thi. Freaky é um adjetivo muito bovino demais viu. Para não te chatear com essa história, nem vou dizer que o São Paulo perdeu de virada no domingo só porque eu coloquei uma camiseta verde na hora do jogo. Começo de partida, 1 x 0 pro Glorioso. Aí resolvi puxar uma camisa da gaveta e veio uma verde. Verde!!! Batata. Fui avisado pelas vacas celestes do martelo que viria a nos abater. É assim que funciona o curral futebolístico.

    Saudações tricolores,
    Gui Sierra

  3. DM
    Posted April 24, 2007 at 9:01 pm | Permalink

    Oi Thiane !

    Parabéns pelo seu Blog! Se me permitir a intimidade, você é uma vaca culta e antenada! Concordo com você, homens e mulheres são absolutamente diferentes na maneira de encarar o futebol! Mas só o fato de estarmos conscientes de tais diversidades, já é um progresso, não é mesmo, para entendermos mais os bovinos e eles a nós ….
    Beijos e uma vez mais parabéns
    Vaca Colorada!

  4. Anonymous
    Posted May 8, 2007 at 9:29 pm | Permalink

    Talvez mais do que o “amor louco” dos homens pelo futebol, exista algo que desafie a compreensão feminina: como é possível ganhar o dia ou estragar o fim de semana dependendo da performance do time do coração.

    Demorei alguns anos para conseguir equacionar isso. Não que o futebol tenha deixado de influenciar no meu humor, mas agora é pouco. Na verdade, só não censuro quando muda o humor pra melhor. Mas quando vem alguma derrota dura de engolir, eu penso: “É só esporte, é só esporte…”.

    Bem-vindas ao estranho universo masculino.

    E viva a Lusa Campeã Paulista da A2. Hehehe…

    -Mr Eddy

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