A Páscoa do Dr. House

Hoje é Páscoa e quero aqui citar o discurso do Dr.Gregory House no último capítulo da série exibido pelo Universal Channel. O episódio é sobre uma criança autista e ele diz (em transcrição livre):

“See, skinny, socially privileged white people get to draw this neat little circle. And everyone inside the circle is ‘normal’. Anyone outside the circle needs to be beaten, broken and reset so that they can be brought into the circle. Failing that, they should be institutionalized. Or even worse – pitied (…) Why would you feel sorry for someone who gets to opt out of the inane courteous formalities which are utterly meaningless, insincere, and therefore degrading. This kid doesn’t have to pretend to be interested in your back pain, or your seccretions, or your grandma’s itchy place. Can you imagine how liberating it would be to live a life free of all the mind-numbing social niceties? I don’t pity this kid. I envy him”.

É isso. Dias como hoje me fazem sentir um incômodo porque o mundo hipocritamente vai à igreja e pede perdão ou finge desejar um planeta melhor. As pessoas hipocritamente fingem se aceitar e desejar o bem do próximo. O mundo falsamente finge se importar. E assim como no Natal ou no Ano Novo, as pessoas pensam em uma lista de coisas boas que logo na segunda-feira se transformam em obrigações que elas nunca irão cumprir. A gente não tem o poder de mudar os outros. Mas podemos nos transformar e, dessa forma, contribuir para pequenas mudanças ao nosso redor — porque é a maneira como lidamos com a vida que conduz o universo a conspirar a favor. E é uma pena que sentimentos gerados por ocasiões como hoje quase nunca sirvam de impulso para verdadeiras mudanças. Essas mudanças internas que poderiam aos poucos transformar, sim, o restante do planeta. Uma espécie de “corrente do bem mesmo”, na qual cada um apenas faz a sua parte e mantem a engrenagem funcionando. Mas amanhã tudo volta a ser como sempre foi…

2 Comments

  1. mc
    Posted April 9, 2007 at 4:28 pm | Permalink

    Eu assisti esse episódio, adoro House.
    Ontem na estrada voltando da casa dos meus pais vi o carro da frente jogar lixo pela janela do carro. Xinguei “porco”, como sempre faço, e me deparei numa palavra reluzente colada no porta-malas “Jesus”.
    Na hora falei pra minha irmã que acho que as pessoas só acreditam em Deus porque são egoístas e precisam fazer algo para se sentirem melhor consigo mesmas. É como se ir à igreja fosse um ato inconsciente em busca da purificação – saindo de lá o cara vai comer uma pizza e resolve não avisar o garçom a conta veio errada – pra menos, é claro.
    Esse assunto me irrita.

  2. Thiane
    Posted April 9, 2007 at 10:12 pm | Permalink

    Sim, me irrita também. Acho que não brigo no trânsito porque tenho medo de um louco com uma arma. Mas dá vontade de gritar por muitas coisas. Aí a gente morreria loucas, de tanto berrar.

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