Sou tatuada sim, e?


Pois é. Pleno século XXI. As mulheres já queimaram seus sutiãs, os homens (alguns) já aprenderam – e gostaram – de ficar em casa cuidando da família, o sexo não precisa ser só depois do casamento e o mundo parece estar sempre disposto a erradicar as hipocrisias sociais. Hum, nem tão disposto assim. Outro dia fui jantar na casa de uma amiga, cuja família aparentemente me adora, e eis que começa a discussão sobre tatuagens. Eu sempre fico quieta e finjo que não é comigo, mas fui citada (bastante citada, aliás) e em dado momento, quando os nervos já estavam transbordando a flor da pele, decidi que era hora de ir embora. Sem rancores, nem mágoas. Mas surpresa com o tanto que a humanidade apenas pensa que evoluiu, sem de fato ter saído das cavernas. Infelizmente, podemos ter a melhor tecnologia, estar conectados de formas antes inimagináveis, ter acesso a todo tipo de conhecimento e informação, desbravar o mundo inteiro – o universo inteiro –, mas o fato é que ainda não deixamos de carregar preconceitos e pré-conceitos que as revoluções tanto tentaram (e tentam) apagar de nossa herança coletiva. Uma pena. Talvez por isso a convivência esteja tão difícil, haja tanta gente solitária no planeta e a grande luta das empresas, hoje, seja pela conquista da real diversidade, não só aquela de raças e crenças, mas também de valores. Porque aceitarmos uns aos outros, irmãos, é tarefa árdua, cada vez mais árdua neste mundo moderno, pós-moderno, contemporâneo. Neste mundo tão pequeno, tão redondo e tão perdido. E que, ao mesmo tempo, nos coloca diante de tantos desafios, como simplesmente conviver com a tatuagem alheia.

4 Comments

  1. Gabriela
    Posted January 20, 2007 at 11:58 pm | Permalink

    Oi Thiane, que coisa chata! E eu aqui em dúvida sobre o que é mais aceitável, se a vida aparentemente inclusiva do politicamente correto aqui ou se a vida aparentemente permissiva, mais bem moralista daí. Tô chegando à conclusão de que compaixão, compreensão e real comunicação (só pra ficar no mundo do Com) exige experiência de vida plus sensibilidade.

    Beijo enorme! Prazer te ler.

  2. Aluísio Sabas
    Posted January 23, 2007 at 1:20 am | Permalink

    Poxa, por tatuagem sendo homem ou mulher pra mim tem que ter bastante personalidade, e eu acho mulher de tatuagem um charme, mas tatuagens que passem mensagem que não torne vulgar o símbolo mulher, pq mulher não ta aqui simplesmente como objeto de reprodução, mulher é algo mais que tudo isso é arte e expressão. a mulheres que digam terra a vista! pq o esse século são delas!

  3. Anonymous
    Posted February 7, 2008 at 2:44 pm | Permalink

    Curioso, eu moro do outro lado do Atlântico, também sou jornalista e também trabalho com relacções públicas. No entanto, ao contrário da referida família, acho que uma tatuagem bem pensada e bem executada pode valorizar bastante quem a ostenta. No caso das mulheres, é normalmente um “must”, a cereja sobre o bolo, que as distingue das pessoas mais vulgares.

    Parabéns!

  4. Edson Monteiro Jr.
    Posted October 24, 2009 at 8:44 pm | Permalink

    “Vivemos em um mundo onde é mais fácil desintegrara um átomo do que o preconceito” Albert Einstein

    Uma frase perfeita para um mundo imperfeito. Eu tenho colegas com tatoo, e acho linda a mulher tatuada, deixando o corpo ainda mais sensual, deixando a mulher mais “MULHER” sem perder o ar de ternura existente em todas vocês.

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