Na cama com Buzzcocks

Dois de novembro de 2006, meu último dia em Londres. Depois de andar o dia todo em Camden, peguei o metrô no final da tarde e fui para Kentish Town. Os Buzzcocks iam tocar no The Forum para comemorar seus 30 anos de existência. O lugar é lindo e também já foi casa de diversas bandas históricas (isso em Londres é até redundante). Bem, primeiro teve um “esquenta”. Um DJ tocou vários clássicos do punk rock enquanto o telão mostrava imagens do grupo nas últimas três décadas. De chorar: a foto do cartaz de um show com Sex Pistols, Buzzcocks e Slaughter and the Dogs, em 1976, por UMA LIBRA. Não só nasci no país errado, como na época errada. Enfim, palco enorme que Steve Diggle e Pete Shelley souberam ocupar maravilhosamente bem. O show teve duas etapas. A fase um focou mais nas músicas do recente álbum “flat-pack philosophy”. Diggle, completamente rouco, mas extremamente bem humorado, gargalhou diversas vezes e mandou vários beijos para o público. Shelley, um pouco mais comportado, mas igualmente feliz, vira e mexe levantava a sobrancelha e soltava um sorrisinho de canto de boca. Talvez um jeito sutil de demonstrar que aquele dia estava o máximo. Na fase dois a banda literalmente engatou a quinta marcha, acelerou as músicas e emendou um clássico no outro. O final, se me perdoem o chavão, foi antológico. “Harmony in my head”, “Ever fallen in love” e “Orgasm addict” uma seguida da outra, sem parar. E um adeus sem cara de adeus. Um adeus irônico como alguém que abandona a cama no minuto no clímax, deixando o orgasmo pro caminho de casa, no metrô, enquanto os acordes ainda estão grudados na cabeça e você se pergunta: “Mas já terminou?”.

Clique aqui para ver uma entrevista com Steve Diggle em 2003 e aqui para outra entrevista com Pete Shelley em 2001, ambas feitas para a agência Reuters de notícias.

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