Muito trabalho na minha última semana por conta do Dia Mundial da Aids. Ou seja, fiquei atolada no escritório até tarde e acabei não tendo muito tempo para grandes passeios. Comprei algumas lembrancinhas pra família na Oxford Street, achei a Sisters, uma loja de discos ótima no Soho, e tive direito a duas despedidas. Uma na terça-feira e outra na sexta – esta teve até champagne! Sábado foi dia de ir a Camden Town. Não, não pertenço a Sloane. Pertenço a Camden, um desses lugares exóticos com coisas legais pra comprar e muita gente diferente na rua. Góticos e punks de todos os estilos, além de pessoas bacaninhas querendo pechinchar. E aí a falência se concretizou compulsivamente em vários CDs de 5 libras, cadarços e meias de caveirinha, canecas e imãs de geladeira, entre outras porcarias. Sem falar no show do Toy Dolls sendo exibido num telão na entrada de uma galeria. Podia ficar parada ali por horas, apesar do frio e do vento gelado. Infelizmente tive vergonha de fotografar pessoas, mas vi cada coisa nessas três semanas que me fizeram entender porque Londres é tão legal. A diversidade está em todos os níveis. Então, não importa muito como você se veste, de
onde vem, nem o que faz. O que importa é o quanto de valor você agrega ao seu trabalho, sua comunidade e o quanto você é legal com quem lhe cerca. Óbvio que é uma sociedade com vários problemas, inclusive preconceito, mas de uma forma geral o que os outros pensam tem muito menos peso na vida até porque em boa parte do tempo os outros não pensam nada. E imagine que uma menina do escritório foi promovida na semana que em pegou o avião rumo à América do Sul para um sabático de 8 meses. É simplesmente uma evolução que boa parte do planeta nunca vai alcançar. Fora o desapego com coisas materiais e o foco em muito mais viagens, diversão e cultura. É outro jeito de gastar o dinheiro. Além de tudo isso, poder fazer qualquer coisa de metrô, ver um show de rock por dia e estar no meio de todas as tendências que vão direcionar o resto do mundo. Foram apenas três semanas, mas aprendi horrores. Foi uma super experiência.
Jornalista, trabalhando com Relações Públicas. Apaixonada por música e pela vida.





