Sabado a tarde, caminhando em Angel. As seis horas tinha que correr pro Carling Islington Academy para ver Restarts, Lost Cherrees, Subhumans e Conflict. Passei em frente a um shopping e vi uma galera “rock and roll” se amontoando. Achei estranho aquela gente “estranha” naquele shopping chique. Continuei rodando. Comecei a ficar nervosa porque simplesmente nao conseguia encontrar nada parecido com uma casa de shows. Foi ai que me dei conta de que o Carling fica dentro do tal shopping. Mas era o show do Conflict! Como assim o Conflict toca num shopping? E embora isso pareca absurdo, descobri mais tarde que aquele shopping esta acostumadissimo a receber astros de todo tipo, de Franz Ferdinand a Meteors. Enfim, 6:00 em ponto e eu com ingresso em maos senti o corpo gelar de ansiedade. Nao sei bem explicar por que. Talvez por estar em Londres simplesmente. Bem, tive que passar o show inteiro com a bolsa e o casaco. Isso porque, embora a chapelaria cobrasse 2 libras, um enorme aviso dizia: “Informamos que os bens deixados aqui sao de
inteira responsabilidade de seus donos. Nao nos responsabilizamos pelos pertences deixados aqui”. Otimo, ne? Voce paga 8 reais e ainda corre o risco de ter suas coisas roubadas. Mas tudo bem. Fui la pra frente, pendurei o casaco na grade e relaxei. Conheci um casal que tinha vindo da Espanha exclusivamente para o festival e em lugares underground voce nunca esta abandonado. Eh incrivel como eh muito facil ser acolhido em concertos de rock. Ainda mais em um tao internacional, com gente da Polonia, da Alemanha, da Franca… e do Brasil. O Restarts abriu. Seis horas e cinco minutos, enquando a entrada ainda estava sendo liberada, os primeiros acordes comecaram a soar. Eles se parecem um pouco com Rancid nos velhos tempos e fazem um show pauleira, com discursos engajados e muito pogo na plateia. “System Error”, “Time Waster” e “Mind Yer Own Business” esquentaram o publico, que acabou levando um balde de agua fria com a entrad
a do Lost Cherrees. A banda me lembrou o Tilt, mas sem a mesma energia. A vocalista de regata bege, calca jeans, cabelo solto, nenhuma maquiagem e, portanto, nenhum estilo, nao chamou nem um pouco a atencao. Foi o momento de espiar as barraquinhas de CD, dar um tempo e se preparar para o melhor da noite. Subhumans foi um arraso. Uma musica atras da outra e todo mundo cantando todas as letras… Insano. Varios classicos como “I don’t wanna die” e “Til pigs come around”, “Rats”, “Evolution”, “Animal”. Depois deles, ate mesmo o Conflict perdeu um pouco seu peso, apesar de ser o show mais esperado da noite. Alias, a entrada do Conflict e algo sobre o qual nao consigo ter opiniao. Nao sei se achei brega ou ok. O palco ficou escuro. Comecou a tocar “Assim Falou Zaratrusta”, de Straus e tema do filme “2001 Uma Odisseia no Espaco”. E de repente eles abriram com “Carlo Giuliani”. Foi quase uma hora e meia de show — infelizmente sem a participacao de Sarah Taylor. Foi muito bom, mas, pra mim, Subhumans detonou.
Jornalista, trabalhando com Relações Públicas. Apaixonada por música e pela vida.





