Na Coréia do Sul, punk rock é um termo “adolescente”. Os coreanos introduziram o movimento à sua cultura somente em 1994, quando o país vivia o apogeu econômico. A democracia recém-estabelecida –- apenas em 1993 foi eleito o primeiro presidente não-militar da história da Coréia da Sul, embora as eleições diretas tivessem sido implementadas anos antes — permitiu que os jovens começassem a fazer intercâmbios universitários sobretudo nos Estados Unidos e na Inglaterra, trazendo suas experiências para a tradição oriental. Isso e o acesso à Internet (cerca de 80% dos coreanos estão conectados por banda larga e formam a população mais heavy-user do globo) fizeram com que o punk rock, principalmente o pop punk e o hardcore melódico, se espalhassem pelo país. “É curioso ver que o punk na Coréia não tem qualquer propósito muito além do entretenimento”, diz Stephen Epstein, autor do ensaio “Anarchy in the UK, Solidarity in the ROK: Punk Rock Comes to Korea“. “O punk rock coreano, ou Choson Punk, representa uma geração que tem se apropriado de formas culturais externas, estrangeiras, com o propósito de redefinir sua posição na sociedade e é emblemático como exemplo das mudanças que a Coréia vem vivendo neste milênio”, ele afirma. O filme “Our Nation: A Korean Punk Rock Community“, também de Epstein e cujo chat “Our Nation Moimbang” é um dos mais populares entre os punks coreanos, traz sociólogos e professores de renome analisando a importância do movimento para uma Coréia mais aberta e globalizada. Mas nada de política ou muito engajamento social. As letras são, em sua maioria, sobre o drama de quem é obrigado a passar dois anos servindo o Exército, a rebeldia de quem quer quebrar com os costumes milenares, ou as dores do coração partido. Sob influência de grupos como Offspring, Green Day e NOFX, as bandas mais populares da Coréia atualmente são No Brain (inspirado em Rancid), Crying Nut (bastante melódico e um pouco puxado para o punk 77) e Lazybone (skacore bem ao gosto de Mighty Mighty Bosstones). Já o 18Cruk é Oi! e traz letras um pouco mais críticas principalmente em relação à obsessão coreana pela educação. O Hangar 110 de Seul é o Drug Club, nas redondezas da Hong-Ik University, e que hoje também é a sede da Drug Records, responsável pelo lançamento de boa parte das bandas independentes da Coréia. “Eles experimentaram toda a história do punk de uma vez só, de Sex Pistols e Ramones até Nirvana“, conta Tim Tangherlini, co-autor de “Our Nation” e professor da UCLA. “Foi como estar em Londres e Nova York em 1978 ou em Seattle em meados dos anos 80. Tudo ao mesmo tempo”.
“Don’t insult me if I blow my nose in front of you (oi!)
If it’s stuffed, you’ve got to blow it (oi!)
So what if I don’t study very well (oi!)
We’re all people anyway
I’ll live the way I want
Why don’t you mind your own business
I’ll live the way
I want
No one’s going to get in my way
Don’t get down when people give you crap (oi!)
The guy who’s dissing you has nothing to be proud of (oi!)
They shouldn’t go thinking they’re so clever (oi!)
Someday they’ll be in big trouble”
“Nae Mamdaero” (The Way I Want), 18Cruk
(trecho traduzido do coreano e encontrado na Internet)

Jornalista, trabalhando com Relações Públicas. Apaixonada por música e pela vida.





One Comment
Legal Thi. A Coréia é realmente uma coisa muito louca. E a juventude também. Das bandas de rock dos (poucos) países que visitei, a mais legal que conheci foi a Street Poets, de Seoul. Uma mistura de vários estilos, cuja fonte-mór é Beastie Boys. Trouxe até um CD bem bacana. Tem muito programa de música na TV – aliás, lembro bem que foi lá que descobri que No Doubt havia acabado de lançar seu último CD, o Rock Steady (que acabei comprando na escala de volta em Los Angeles). E não por acaso Tim Tangherlini, da UCLA, fez essa análise: os coreanos tem uma proximidade bem grande com os californianos.