Depois de ter sido exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2000 e ter entrado em circuito em 2001, “O Lixo e a Fúria”, do cineasta inglês Julian Temple, volta ao principal festival de cinema do país em exibição única no próximo dia 30/10, às 19h30, no Vão Livre do Masp. O filme conta a trajetória dos Sex Pistols de 1976 a 1978 por meio de entrevistas, fotos e imagens de shows, além de depoimentos recentes de Malcom McLaren (empresário), Johnny Rotten (vocal), Glen Matlock (ex-baixo), Steve Jones (guitarra) e Paul Cook (bateria). Na resenha que escrevi em 2001 para a agência Reuters, conto que Temple obriga o espectador -muitas vezes acostumado a canonizar a banda – a lembrar quão chocantes, sujos e agressivos eram os Pistols. Não porque eles realmente tivessem a intenção de mudar o mundo, mas porque não tinham respeito e auto-estima. “A única razão pela qual concordei em fazer ‘O Lixo e a Fúria’ foi a liberdade de poder contar a história dos Pistols como ela realmente aconteceu. Não nos gabamos da nossa influência, mas somente dizemos a verdade. Nos últimos 20 anos, as pessoas exageraram ao transformar os Pistols em algo que nunca fomos”, disse Johnny Rotten em uma entrevista ao site oficial da banda. Talvez um dos grandes méritos de “O Lixo e a Fúria” seja mostrar que os Pistols não criaram o punk, mas apenas se destacaram em um cenário que já contava com nomes como Clash, Siouxie e Ramones.
Jornalista, trabalhando com Relações Públicas. Apaixonada por música e pela vida.





