O mundo underground foi institucionalizado na
Internet com o Sellaband.com. Veja como:
* Bandas underground normalmente criam boca-a-boca através de amigos, colam cartazes de shows nas lojas da Galeria do Rock e nas esquinas dos bares frequentados por seu público, distribuem panfletos nos shows dos amigos, alimentam comunidades no Orkut, além de seus próprios websites, enviam mala-direta via e-mail e com isso conquistam fãs.
+ No Sellaband a banda se inscreve no site gratuitamente e cria um perfil parecido com o do Myspace, onde é possível incluir três músicas, calendário de shows, fotos e biografia.
* No underground é comum que as bandas encontrem parceiros para investir na gravação de seus discos. São normalmente donos dos selos independentes (e não estou falando da Trama) que bancam parte do estúdio ou da prensagem.
+ No Sellaband o grupo tem gerar boca-a-boca para conquistar os “believers”. Esses believers precisam comprar o que eles chamam de “parts” (peças) por US$ 10. A banda precisa vender 5.000 peças e arrecadar US$ 50.000.
* No mundo underground a banda é geralmente sua própria produtora musical ou conta com o pessoal do estúdio para palpitar sobre a qualidade do disco. A capa é desenhada ou fotografada por um amigo, que normalmente não ganha nenhum tostão.
+ No Sellaband, quando a banda consegue a quantia estipulada, o site contrata um A&R, um produtor renomado e um estúdio bacana.
* Os outros selos independentes do underground ajudam na distribuição. Ou seja, um selo troca discos com outro e ajuda a passar os discos adiante. Mas pode haver acordos comerciais também e isso é mais comum com selos internacionais, que normalmente preferem comprar os álbuns para revendê-los em seus países. Aí a banda arma barraquinhas em shows alternativos, coloca o CD à venda no site, avisa os fãs do Orkut, etc.
+ Já cada believer recebe um álbum digipack que é entregue em casa! O Sellaband disponibiliza downloads gratuitos na Internet. A receita gerada com anúncios no portal de downloads é repartido entre bandas, Sellaband e believers. Quanto mais uma banda tem músicas baixadas, mais ela recebe (a divisão é proporcional por “market share”).
+ A banda não tem qualquer problema de royalties e pode continuar armando suas barraquinhas por aí. Ela também pode tentar vender seus discos através dos parceiros online do Sellaband. E como cada believer já gastou no mínimo 10 dólares, vai ajudar o CD a virar um hit, certo?
E o que os believers levam com isso?
+ O grande lance aqui é, com o Sellaband, a banda fica com 50% do lucro das vendas do disco. O restante é repartido entre os believers. O diferencial é que neste caso o disco é melhor produzido, conta com canais de distribuição conhecidos e, teoricamente, deve custar mais do que os tradicionais R$ 15 a R$ 20 cobrados pelas bandas undergrounds. Supõe-se que é uma “win-win situation” que pode ajudar a minha, a sua banda ou a banda do vizinho a se tornar um Clap Your Hands Say Yeah, que começou online e virou qualquer coisa monumental.


Jornalista, trabalhando com Relações Públicas. Apaixonada por música e pela vida.





One Comment
Está lançada a “Amway” do underground. Já acabamos com o vinil e agora queremos acabar com o selos e as lojas… Olha, a saber os discos da Red Star Recordings (www.redstar77.com) têm qualidade invejável, não deformam e só custam R$ 12. hahaha! Ah! tambem tem em digipack!