E se os cristãos decidirem reivindicar o que também é deles?
A reportagem “O que há com o Islã?”, da revista Época desta semana, comenta a suposta impaciência que surge no Ocidente para com os muçulmanos.
De fato, nos últimos cinco anos pós-11 de setembro a liderança ocidental vinha tentando desassociar o radicalismo islâmico da religião fundada por Maomé. Mas a polêmica envolvendo o papa Bento XVI demonstrou que até mesmo a esquerda moderada na Europa já está dando sinais de que a tolerância chegará em breve ao fim.
Na verdade, as discussões em torno do papa deveriam suscitar um debate ainda mais profundo. As décadas de conflito entre Israel e Palestina juntamente com a mais nova “guerra fria” que separa o
Islã do restante o planeta têm deixado os cristãos em posição de mero espectadores.
Até quando?
Em viagem ao Egito no ano passado foi possível perceber uma certa rixa entre cristãos coptos e muçulmanos. Num país onde o cristianismo é efervescente, e o fanatismo cristão é tão chocante quanto o chador nas mulheres dos xiitas, eles não se bicam.
“Detestamos os americanos, mas os muçulmanos fazem coisas que nem nós conseguimos entender”, disse um guia turístico. “Eles não têm respeito, são hipócritas (…) Os que vêm de países radicais para férias no Egito vêm em busca de sexo e das perversões que eles têm medo de fazer no país deles. São todos loucos. No fundo, são apenas loucos.”
Os coptos se chamam assim em alusão ao alfabeto Copto usado no Egito antigo e que em 451 d.C. passou a representar o cristianismo ortodoxo egípcio fundado pelo papa de Alexandria. Hoje há coptos em diversos países, incluindo Jordânia, Austrália, Etiópia e Sudão.
E se no Egito a tensão é latente — e os coptos mais “dedicados” ficam “segregados” nos bairros cristãos do centro do Cairo –, não é difícil seguir viagem rumo a Israel e pensar no quanto o caos pode ser ainda maior.
Ali, onde Jesus andou por todos os cantos, fico imaginando se eles decidirem pegar de novo em armas. Fico imaginando se decidirem peitar o islamismo de frente, defender seus papas, sua Jerusalém, sua Belém. Fico imaginando se levarem todas as ofensas a cabo, se resolverem lutar ao lado dos judeus (o povo escolhido) e instituírem uma nova Cruzada.
Igreja fundada no local onde supostamente
Jesus se escondeu com Maria durante a fuga para o Egito.
Acima, foto de uma rua estreita do bairro Copto, no Cairo.
Ali, cristãos percorrem as igrejas beijando fervorosamente as
imagens santas.

Jornalista, trabalhando com Relações Públicas. Apaixonada por música e pela vida.





One Comment
Olha… Bahamas é o esquema! Bahamas…
E cara, “eles são todos loucos” foi o melhor comentário que ouvi (ou li) até agora sobre a situação.
Parabéns pelo “Vertente”, extremamente bem escrito!